LUIZ GERALDO MAZZA
A caneta cheia
Costuma-se dizer quando o governo está numa boa que se encontra de ''caneta cheia''. Não é o caso de nenhum nível de governo nos dias de hoje, pois tanto o estadual como os municipais se acham numa crise sem saída e do federal não há o que dizer. Para uns de fato, como ocorre com os diretores da Sanepar (mais de R$ 16 mil ao presidente e mais de R$ 13 mil aos demais dirigentes) dá impressão de que a caneta está cheia. Já para os professores, ao pedido de 99% de reajuste, o governo responde com um de 5%. Como se vê, caneta vazia.
A caneta que estava cheia foi a manipulada indevidamente no interior da Secretaria de Segurança, e que se tratava de uma arma disfarçada e que dispara balas calibre 22, e que acabou atingindo um assessor especial e que, ferido nas mãos, teve que ser operado às pressas. Houve enorme empenho em ''abafar'' o episódio, altamente constrangedor por se tratar de um incidente inaceitável e de um artefato de uso proibido. Segundo os informes que vazaram tratava-se de um presente ao secretário de Segurança, o promotor Luiz Fernando Delazari, cujo ofertante não teria esclarecido que a arma estava ''carregada''.
Como se vê a falta de segurança, essa mesma que explica a morte da garotinha Danielle por uma bala perdida na Vila Centenário do Cajuru, onde as gangues, ligadas ao tráfico de drogas, agem à luz do dia, permeia todo o governo. Não fossem suficientes os sequestros e roubos de carros de secretários, como já se registraram vários, temos ainda uma situação insólita como essa no interior da própria Secretaria de Segurança. Parece roteiro de filme de Woody Allen ou dos clássicos dos Três Patetas.
PREFEITOS Algumas reações de setores governistas, relativamente ao movimento das prefeituras, por haverem em maioria fechado as suas portas em protesto contra a queda nos repasses do Fundo de Participação, não se justificam. No aconselhamento para que cortem despesas desconsideram o fato de que uma das heranças de Lerner que o governo manteve foi a do excesso de secretarias, envolvidas num processo de dispersão, de paralelismo e de superposição que agride o bom senso administrativo.
Não sendo o governo estadual um bom exemplo de austeridade, haja vista para o reajuste recente da cúpula dirigente da Sanepar, faltaria um mínimo de razão aos conselheiros para que as prefeituras fizessem cortes de gastos heróicos, o que já estaria, de certa forma, acontecendo. Um detalhe: o movimento é nacional, no legítimo exercício do direito de pressão como magistrados e promotores (esse ilegal e obviamente inconstitucional) fizeram com a ameaça de greve para evitar perdas na reforma da previdência. E tanto que em São Paulo, o ''olho do furacão'' do Brasil, mais de 500 das 645 prefeituras fecham, na próxima semana, também as portas por terem sofrido até aqui uma queda de 19,6% no recebimento do Fundo de Participação e que poderá chegar a 45% em julho.
FOLCLORE Essa caneta, dizia o hierarca da Segurança, é um ''estouro''. Dessa vez o Inspetor Clouseau foi superado junto com a Loucademia de Polícia.
AFORÍSTICO Um secretário do governo deu carteirada para furar uma fila numa churrascaria de São José dos Pinhais. Com Alvaro Dias um aprontou uma dessas na fila do Banestado e foi devidamente destituído.





