Assimetria provocativa

Afora as razões suficientes para o clima de baixa estima na Segurança, fator psicológico que mina a coesão interna da corporação, a cúpula do sistema, representada pelos delegados de carreira, está irritadíssima com o fato de ter sido concedido aumento para os coronéis da PM, hoje nivelados em R$ 12 mil, enquanto os civis recebem R$ 10 mil. Herança de Lerner, é certo, mas de qualquer modo um abacaxi a descascar, além da perda de eficiência operacional visível na escala criminal com incremento de 30% entre este ano e o anterior.
O governador, ao declarar-se titular da pasta em acumulação, nada obteve com a providência inútil, enquanto se declarava em guerra permanente com a tal da ''banda podre'' que jamais identificou ou dimensionou, embora busque quase sempre referir-se como ''bad boy'' o delegado Noronha. E colocou o Adauto de Oliveira, como símbolo diferencial, tido por todos como incorruptível, como a figura máxima da Polícia Civil, fato que o impedirá de afastá-lo em função de um paradigma que nem sempre signifique eficiência, apesar das qualificações técnicas que o caracterizam.
Enquanto nutre o maniqueísmo entre banda limpa e banda podre, jogo solerte e de escasso esclarecimento, o governador foge como um punk de um desodorante de qualquer cerco reivindicatório, embora os delegados tenham condições de fazer, a qualquer momento, uma operação-tartaruga ou operação-padrão. Por exemplo não recolhendo presos em cadeias superlotadas. Se o debate moral, provocado por Requião, permear a eleição dos delegados, que teve o seu primeiro turno ontem, o que é difícil porque a categoria se une em torno de reivindicações salariais e de prerrogativa (embora não seja unânime a hostilidade aos sargentos em lugar dos calças-curtas), ainda que Keppes de Noronha perca o pleito, hipótese considerada remota, o conflito persistirá. E irá até a eleição de 2004 quando o tema ''segurança'' persistirá como prioridade aflitiva.
SÃO SEBASTIÃO O governo paranaense, de tantas questões que provoca na área do Judiciário, ativa ou passivamente, poderia ser representado pela imagem de São Sebastião, o santo flechado. Cada turbulência judicial uma flechada. Agora mais uma ação popular do empresário Guilhobel Camargo, com pedido de liminar, acaba de dar entrada na Fazenda Pública, fulminando assembléia da Sanepar que transformou seus dirigentes nos maiores marajás do Paraná. É de R$ 16.440,79 a remuneração do diretor presidente e de R$ 13.152,62 a dos demais diretores com a verba adicional de representação de 20% da remuneração básica.
E para os professores se sugeriu 5% e aos demais nada. Tanto que ainda não se regularizou o caso dos servidores que recebem menos do que o salário mínimo.
Não é fácil uma blindagem para tanto absurdo num governo que fala demais em moralidade e ética e se permite a vulnerabilidades tão graves.
POSITIVO Dispensados os exageros retóricos, a posição do governador Requião em relação à Copel e sua inserção no modelo federal é justa e necessária. Levamos muito pau por sermos grandes geradores, mais ônus do que bônus. Infelizmente não temos hoje na estatal a massa cinzenta do passado. E isso, às vezes, pode ser uma forma inesperada de ''apagão'' estratégico.

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