LUIZ GERALDO MAZZA
Vez e voz dos prefeitos
Juiz acha que pode fazer greve, mas há quem entenda que não fica bem para os burgomestres fecharem as prefeituras num ato simbólico de inconformismo por estarem ''quebradas''. O curioso é que os petistas que animam o MST e agora a ação dos sem-teto fazem restrições à reação dos prefeitos como se ela fosse demagógica e a dos movimentos sociais não. É o enredamento nas contradições do maior partido brasileiro, cujo governo é agora elogiado pelo FMI por ter sido muito mais radical do que FHC em seguir-lhe o receituário atrofiante e castrador. A crisálida se fez borboleta depois de passar por ninfa, estilingue é agora uma reluzente vidraça a caminho de ficar tosca.
Prefeitos estão agindo com visão estratégica e não imediatista ao perceberem que se as reformas forem encaminhadas como os centralizadores desejam não lhes sobrará migalhas na partilha das rendas, a despeito de aumentarem, cada vez mais, os seus encargos. É por isso que reduzem o expediente, cortam gastos e não encontram saída para ações sociais relevantes como a do transporte escolar porque o governo estadual também mergulhou na penúria e tem dificuldades para fazer o mínimo.
O Brasil vive um momento excepcional em que a sociedade rediscute os seus fundamentos em plena ação (invasões, greves até de magistrados quando mesmo a de servidor público é ilegal pelo fato de inexistir a lei complementar a regular tal dispositivo), um abalo sísmico institucional, como se estivéssemos num processo constituinte alternativo. A atrofia do Fundo de Participação e a queda na arrecadação dos tributos decorrente do quadro recessivo e de outro lado a prensa da Lei de Responsabilidade Fiscal geram um cenário de absurdo, mais apropriado à literatura de Yonesco e Becket do que à realidade administrativa do nível de governo mais mal tratado que é o Município.
No arsenal das medidas que os prefeitos ainda podem adotar estão a moratória e o não pagamento de luz e água para a Copel e a Sanepar, o que dá bem a exata medida da crise. Essas formas de ação substituem com maior honestidade a velha compulsão pelo discurso para gerar factóides. Ademais o governo estadual reluta em atender pedidos de despejo judicial contra sem terras e sem teto, alegando, com razão, não desejar confronto e levando o diálogo à exaustão. Aos prefeitos deveria ser concedido igual tratamento, a não ser que o governador tivesse provas de que a moratória por eles proposta não é tão honesta quanto a dele e que também teve efeitos políticos e administrativos incontornáveis.
BIZARRICE Como pipocam movimentos de sem terra, sem teto e sem tato (nada a ver com o ex-secretário de Lerner), o Macaco Simão imaginou a invasão da clínica Santé por um movimento das sem-teta. Há um outro tipo de sem-teta os que até agora, embora sua contribuição eleitoral, não conseguiram seu emprego.
FOLCLORE Como o governador disse que prefeitura de meio expediente tem meio prefeito, o Joarez Henrichs, prefeito de Barracão e presidente da Associação dos Municípios do Paraná, repicou afirmando que o Paraná tem meio governador.
E ainda fez referência ao gosto do governador pelas cavalgadas. Está empate. Com as duas frases nenhum dos dois caiu do cavalo.





