LUIZ GERALDO MAZZA
Risco Brasil e invasões
Enquanto o País está rigorosamente parado em termos econômicos a situação, social e política, é convulsiva com as invasões, as greves, isso sem falar na violência que alcança níveis insuportáveis. A queda de inversões estrangeiras já chegou a 63%, o que toma dimensões ciclópicas numa economia sem poupança interna e, por isso mesmo, dependente da externa.
O esforço de Lula e de sua equipe econômica é minado no plano político pela frequência das invasões de sem-terra e agora dos sem-teto, especialmente a que se dá no terreno da Volkswagen, destinado certamente a possível ampliações do grupo multinacional. Não bastasse a abrangência da quadra recessiva que coloca as automotivas num beco sem saída ainda temos a computar os efeitos na mídia internacional dessa invasão e que certamente não contribuirá para atrair os indispensáveis investimentos de risco no País.
Fingir a fleugma britânica, tal qual faz parte do ministério, lançando frases sem qualquer sintonia com a realidade como as do titular da Justiça, insistindo que não permitirá abuso de nenhum dos lados, quando apenas um deles é que está em ofensiva permanente, não contribui em nada para assegurar que o Estado de Direito Democrático será preservado.
Assim todo o esforço para cumprir as metas do FMI e o seu manjado formulário com os superávits primários, a manutenção das taxas de juros que engessam o mercado, é dissipado por essa preocupação em fazer omelete sem quebrar ovos no caso específico das invasões urbanas e rurais. Elas têm efeitos externos muito mais fortes do que imaginam os prestidigitadores do governo federal. Às vezes dá a impressão de que o sistema quer mostrar, como consequência do estado de miserabilidade, a insurgência dos lúmpens, dos favelados, dos desempregados, dos excluídos de um modo geral como um subproduto mais dessa austeridade do que da potencialização dos acontecimentos pela demagogia primária.
Infelizmente não há mais lugar no mundo para saídas como a do Plano Marshal que garantiu a recuperação das economias, na Europa e Ásia, abaladas pela Segunda Guerra em função das alianças geopolíticas firmadas. Para nós, no máximo, teremos algo como a panacéia, inútil e assistencialista, da Aliança para o Progresso. E olhe lá se pinta alguma colher de chá do gênero.
PEDÁGIO - A juíza da 3 Vara da Fazenda Pública, no caso da ação popular com pedido de liminar apontando nulidades na lei de encampação do pedágio, acaba de pedir a manifestação do Ministério Público estadual. A reunião de ontem do secretariado tinha em sua agenda a devassa contábil das pedagiadas, mas tudo se limitou à mais uma promessa de revisão contratual na Ferroeste.
Das vias de fato se pode chegar aos trilhos sem descarrilar.
NOVELA - Advogado José Cid Campêlo Filho protocolou, com base na Lei 8.666/93, pedido de esclarecimentos sobre o edital (que considera nulo) para contratar agências de propaganda, para instruir nova ação popular contra o procedimento.
QUASE - A Argentina foi ao fundo do poço e, segundo os otimistas, começa a sair. Tudo indica que estamos próximos da mesma síndrome terrível que aqui teria efeitos mais danosos pelas dimensões de nossa economia. É o que pensam os mais pessimistas. Os otimistas rezam.





