Subordinações corporativas

Os delegados de polícia de carreira estão dispostos a um confronto com o governo por causa da designação de sargentos em lugar dos ''calças-curtas''. Os delegados, na verdade, são uma aristocracia diante do quadro geral que ganha mal e porcamente e não resolve, hierarquicamente, de uma forma adequada, o seu quadro de carreira. Houve algum avanço no governo passado em função do próprio desequilíbrio com a melhoria havida em parte da pirâmide da Polícia Militar.

Talvez essa distância seja um dos fatores que dificulte a mobilização de outros segmentos da polícia civil para a ação comum, já que a alegação dos delegados de que há escrivães e agentes com formação em direito e que poderiam ocupar os postos pretendidos pelo governo para os sargentos não parece animar demais o potencial de interessados.

IMPASSE Delegados alegam que o conflito é institucional, tanto como o questionamento da ilegalidade e inconstitucionalidade da nomeação de um promotor como titular da pasta. Dizem que tanto para esse caso como para o dos calças-curtas já existe jurisprudência clara que os ampara. O fato é que essa tensão apenas serve de fator desintegrador num momento grave e de escalada criminal como jamais visto na história do Paraná. O governador não contribui para remover esses atritos com seus discursos veementes contra uma ''banda podre'' que mal identifica e que por isso mesmo não passa de um recurso retórico. Até hoje, em que pese a aplicação do Ministério Público, nada se provou e a maior de todas as desmistificações da própria CPI nacional foi o fato de que nada se apurou contra o ex-secretário de Segurança Cândido Martins de Oliveira o que, em princípio e por extensão, alcança os nominados e indiciados na ocasião.
ALINHAMENTO BURRO Os delegados cometeram um erro básico ao se engajarem, por sua entidade, à candidatura de Alvaro Dias num ato de retaliação às generalizações de Requião no andamento da campanha. Deveriam agir como os professores, que têm mais tradição nos impasses, e que se limitaram a ouvir os candidatos sem declarar preferência. Se Alvaro vencesse seria muito ruim para a sociedade e ao regime democrático que os delegados tivessem posição privilegiada como clientela na administração pública.
Esses engajamentos são terríveis. Dá para lembrar agora, quando até juízes se dispõem a fazer greve, que no primeiro governo Requião houve uma ''parede'' da magistratura que a OAB-Pr levianamente apoiou num espetáculo de cortejamento deprimente e que tirou da entidade a sua essência institucional de mediadora. A classe dos advogados, no caso, agiu com inspiração semelhante à dos delegados de polícia o que retira de ambas a autonomia e independência ante a parcialidade centrada num interesse subalterno ou até em mostra de temor das promessas demolidoras de Requião. É o que se pode presumir, também. A posição de agora da OAB diante da ameaça da greve dos juízes é a correta. Nada tem de oportunista, de conivente ou de conveniente: é límpida e clara por não apoiar a anomia que esse gesto demagógico e irrefletido representa.
A Segurança é o setor mais vulnerável do governo e esse tema será dominante na campanha municipal de 2.004 como já foi nas anteriores. É um alertamento.

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