LUIZ GERALDO MAZZA
A matemágica salvadora
A manipulação das estatísticas sempre oferece um risco: o de que as referências de um trimestre, devidamente apurado em duodécimos, venha a ser derrubada nos três meses seguintes. Foi o que aconteceu com os registros de emprego do IBGE e dos quais o governador Requião se utilizava para dizer que estava criando em dois dias o equivalente a uma montadora. A conta advinha do fato de no primeiro trimestre ter havido a criação de 54 mil vagas. Daí se concluiu que havia geração de 18 mil empregos por mês e 600 por dia. Embora nada se pudesse creditar ao atual governo pela circunstância elementar de que se dispersou em discursos e as medidas de estímulo fiscal foram adotadas no primeiro trimestre e sem poder germinativo para alcançar nossos dias. Assim a dinâmica interna, mesmo em processo quase inercial, explica o fenômeno.
UMA ''ILHA''? Agora com a publicação dos resultados de junho e consequentemente do semestre apura-se que nos últimos três meses tivemos um incremento de pouco mais de 16 mil empregos, já que no trimestre anterior atingíramos os 54 mil já referidos. É que a computação semestral deu 60.048 empregos, bem distanciada do Rio Grande do Sul e Santa Catarina que nem unidos alcançaram o Paraná, uma vez que os gaúchos chegaram a 30.726 e os catarinas a 23.878. Assim se é válido o governo afirmar, como fez anteriormente, que criava 600 vagas por dia tem que reconhecer que o registro caiu para 330 empregos, o que é quase a metade do que vinha obtendo. Se continuar nessa tendência declinante dentro em pouco esses números já não valerão a pena comemorar.
COMPULSÃO Ao longo da minha carreira de jornalista tenho visto governos quebrarem a cara por causa dessa compulsão de manipular dados e mais do que o índice, o que é bem pior, o seu significado, a sua semântica. No último governo indireto do Paraná, retorno de Ney Braga, fez-se uma previsão, via Copel, sempre ela a estatal hegemônica, de que o Censo de 1980 daria 10 milhões de habitantes. Passados 23 anos e não chegamos aquele número. O Censo apurou pouco mais de 7 milhões e 600 mil, dado quase alcançado nas previsões mais sérias e menos triunfalistas do Ipardes.
Repito: nesses indicadores de agora há mais influência do primeiro governo Requião do que do atual, pois não se pode negar que tocou estradas e hidrelétricas, isso sem esquecer da Ferroeste, o trilho entre Guarapuava e Cascavel. A dinâmica, no entanto, está retrocedendo e também não é por causa do governo estadual, mas de um fator mais abrangente, a recessão, que pouco mudará com a pequena redução da taxa de juros pelo Copom.
UM SLOGAN Já me referi ao ''teaser'' badaladíssimo do primeiro governo Requião: ''Paraná, o Brasil que dá certo''. Lastreado em manipulação do IBGE um registro sobre crescimento industrial desdenhou uma greve da Petrobras e seguida de operações de manutenção, o que absorveu mais de um mês de paralisia na unidade de Araucária, obviamente levaria à explosão dos números no ano seguinte e essa prestidigitação serviu para alimentar a apoteose mental da praça e infelizmente comum a todos os governos, dos sérios aos populistas.





