161 empregos por semana

Em 1993 Requião lançou o slogan ''Paraná, o Brasil que deu certo'' baseado numa estatística equivocada uma greve na Petrobras e mais um período longo de manutenção da Refinaria de Araucária que provocou queda substancial no conjunto da produção industrial do Paraná e que logicamente, quando retornou ao normal, no ano seguinte, deu a ilusão de recordes. Desconsiderando esse fator alertado à época pelo mestre Judas Tadeu Grassi Mendes e publicado em minha coluna nesta ''Folha'' o governador valeu-se do velho cacoete da praça, o triunfalismo, para revelar a província como ilha de prosperidade no Brasil, tal qual fizeram Ney Braga e sucessores, especialmente sob o regime militar.
Agora, compulsando dados de origem discutível, o governante tenta minimizar a crise, mais conjuntural do que estrutural do Estado, diante do imobilismo da economia, apesar dos nutrientes proporcionados pela exportação e o desempenho excepcional do agronegócio, de que estaria criando nada mais nada menos do que 161 empregos por semana, uma decorrência daquele outro cálculo também misterioso de que estamos gerando 600 empregos mensalmente. Como há a desconfiança de que o eventual estoque de empregos decorre ainda de feitos do passado (incluindo aí muito mais o primeiro governo Requião do que o atual até por obras de infra-estrutura como a ligação para Santa Catarina, usinas como as de Segredo e Caxias e mais a Ferroeste) ficaremos com o ambiente acrítico que temos (entidades patronais continuam como sempre bajulando o poder e da nossa mídia não dá nem pra falar) à espera de um ''estalo'' de um Dieese para botar tudo isso em panos limpos.
BIZARRICE Anteontem, no Café Ritz, batia papo com o ex-governador Lerner e o ex-craque de futebol Dreyer quando o atual governador se aproximou. Dreyer saiu da roda e ficamos numa ''chacrinha'' de cordialidade, amena, que nada tem a ver com tantas rescisões contratuais e o cerco à Copel. Requião disse que precisou fazer reparos no Parque da Ciência e Lerner achou justa a nominação daquele complexo científico-cultural de Newton Freire Maia. O governador me convidou para a ''escolinha'' secretarial de ontem e lhe expliquei preferir criticá-lo na CBN do que ouví-lo constrangidamente. Todavia o ouvi e tudo o que disse é aquilo que está nos jornais: vai detonar o pedágio, a banda podre da polícia e o mercado de trabalho responderia aos seus estímulos. Ele está convencido disso, eu nem tanto.
AXIOMA Curiosos do Café Ritz queriam análise da minha conversa com o governo atual e o passado. Resumi: ''Requião e Lerner têm mais convergências entre eles do que a existente entre eu e qualquer um dos dois''. Modestamente.
FOLCLORE Esse episódio do meu encontro com duas figuras como Requião e Jaime Lerner é algo que só acontece em Curitiba. E quem fazia essa observação de sentido sociológico foi o ex-futebolista Dreyer que veio de um ambiente um pouquinho mais cosmopolita, Buenos Aires. O Ari de Carvalho, dono do jornal ''O Dia'' e criador do ''Zero Hora'' de Porto Alegre, falecido há semanas, quando dirigiu a ''Última Hora'' em Curitiba não entendia como podia eu, editor de opinião, discutir em voz alta com o delegado de polícia, Bukowski, na Boca Maldita. Esse é o nosso mais secreto charme. Somos condenados ao convívio, como Sartre afirmava ocorrer em relação à liberdade.

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