Sujeito oculto da oração

Não foi convocado na CPI do Banestado. O sujeito oculto da oração é o Giovani Gionédis. O semanário ''Hora H'', em edições anteriores, fez a matéria sob o título ''Um homem que vale uma CPI'', referindo-se ao ex-todo poderoso secretário da Fazenda de Lerner e um dos principais artífices de todo processo de modelagem da privatização do banco.
A referência é a CPI estadual que não tem obviamente o peso da nacional, e que trata de um tema bem mais empolgante, o da lavanderia de Nova York, mas que pode esclarecer muita coisa, como de certa forma vem fazendo, inclusive prensando empresários e ex-diretores com a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. Gionédis é um poço de informações, embora não tenha a dimensão de importância que o seu sucessor alcançou, Ingo Hubert, pela circunstância de empalmar a Copel, um ativo precioso que se tentou leiloar ao desespero, apesar da esmagadora maioria da população ser contrária em pesquisas apuradas.
Como o banco público estava sob o controle político-administrativo da pasta fazendária, cujo titular presidia o respectivo conselho, ninguém melhor do que ele para explicar causas e consequências do ocorrido. Inclusive o Gionédis anda de ''moringa fresca'' na condição de presidente do Coritiba até aqui em quarto lugar no campeonato nacional.

AINDA A BÊNÇÃO - Sobre a frase de Requião de que o MST seria uma bênção de Deus, o empresário Guilhobel Camargo, que vive a intentar ações contra sua gestão, replica que se a afirmação é verdadeira, São Francisco de Assis foi iluminado pelo Mal. Eis o texto em que se baseou: ''Francisco de Assis percebeu que toda propriedade é, potencialmente, violenta. Acontece sempre a mesma coisa: a propriedade sente-se facilmente ameaçada, a propriedade sacode e importuna o proprietário, pedindo que a defenda do perigo. É isso que significa o adágio romano ''res clamat ad dominium'', as propriedades reclamam seu dono. Então, o proprietário tem que pegar em armas para defender as propriedades. Acende-se a guerra. Quando o Bispo Guido perguntou a Francisco: ''Irmão Francisco, vocês agora são poucos, mas logo vão ser muitos e vão precisar de bens para a manutenção diária. Por que não permite algumas propriedades para os irmãos? Francisco respondeu: ''Porque se tivermos propriedades, vamos precisar de armas para defendê-las''. Na verdade o despojamento do santo decorria de uma concepção de vida, o desapego material, fundamento da Ordem que criou com sua resistência e obstinação na pobreza. Essa renúncia não aparece em nenhum dos dois lados, nem dos proprietários, nem dos invasores, apesar de estes pretenderam passar por santos e com a cobertura do clero e do governo.

A LEI - Fazer acordo em cima de uma invasão é mau exemplo. Isso não impediu que os abusos do Pontal do Paranapanema tivessem uma resposta dócil do governo levantando dinheiro, ainda que insuficiente, para desapropriações. Se tal se repetisse agora no caso da Araupel, depois da prolongada reunião de Porto Alegre, como ficaria o dispositivo que veda (Medida Provisória em vigor) a invasores o acesso à propriedade? Derrubada a lei, em que pese a sofismática jurídica, lá se foi a porteira: passou um boi, passa a boiada. Teremos mais prepotência e arrogância, mais violência e desorganização do sistema produtivo do País, este que garante os nossos sucessivos superávits.

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