LUIZ GERALDO MAZZA
Da euforia à depressão
Dois feitos do Paraná nos últimos dias: o registro pelo IBGE do nosso melhor desempenho em vendas de varejo em maio com incremento de 1,35% no volume comercializado quando todo País mostrou números negativos e, além disso, o recorde histórico em exportações no primeiro semestre com um crescimento de 427% em relação a 2002.
Há quem pretenda ver o dedo e a inspiração desse ou daquele governo nesses feitos, o que soa sofismático. É o processo paranaense acima das pequenezas dos políticos que tentam se apropriar do que não lhes pertence. Tais feitos deveriam ser comemorados como resultantes de um esforço comum no qual a ação dos governos é para lá de boa quando simplesmente não atrapalha.
No primeiro caso se deve o desempenho comercial ao ingresso de recursos no mercado oriundos do agronegócio e das exportações. E no segundo se observa que tudo está interligado. E há muita desmistificação como no caso específico da balança comercial, onde o complexo soja predomina (US$ 1,23 bi) e aparece, relativamente bem, o item relativo a automóveis e motores (US$ 537,2 milhões). Só que este acaba liderando a listagem das importações face à notória dependência das nossas montadoras quanto a componentes, peças e acessórios.
O viés publicitário dos governos é permanente. Quando o Paraná não tinha a complexidade moderna de hoje e as importações não tinham maior significação, costuma-se apregoar que o Porto de Paranaguá era o maior em divisas líquidas do País. Um dado negativo, ainda que estrutural, se transformava em positivo.
Pois bem. Nós devemos esses resultados também ao governo, razão pela qual se deve saudar o feito. Opera, no entanto, em contraponto a tudo isso a tensão vivida no campo e tolerada pelos governos federal e estadual, como essa barbárie que se pretende praticar contra a Fazenda Araupel, cujo parque industrial se encontra sob ameaça de militantes do MST. Como se não bastasse o fato de haver decisões judiciais em favor dos proprietários sistematicamente não cumpridas pela administração estadual, desde Lerner, alvo de recente ato de intervenção federal, por ordem do STJ, a sociedade sai da euforia das boas estatísticas para a depressão do atraso e da utopia retrô. Por mais que se reconheça a validade social do MST não há como aceitar o império da demagogia.
BIZARRICE - Criminalizar a PM porque recebe eventual apoio de empresários (que o governo não dá como comida, alojamento, condições operacionais) e descriminar o MST é o cúmulo da subversão do raciocínio.
AXIOMA - Para reverter imagem negativa no eixo Rio-São Paulo o governo
estadual se mexe atraindo ''correspondentes de guerra'' que deveriam ir ao ''front'' em Quedas do Iguaçu e não à bateria verbal do Palácio Iguaçu.
FOLCLORE - Se o Luiz Inácio Lula da Silva, para radicais do PT, está à direita de Fernando Henrique Cardoso quanto à dosagem do monetarismo pode-se dizer que o sociólogo é um sunita perto do metalúrgico xiita. Milton Friedman agradece.
AFORÍSTICO - Político é capaz de tudo, inclusive de acrescentar ao seu Ibope a temperatura da filhinha resfriada.





