Em nome do Padre

Como se estivesse dando uma suave cutucada na área mais ''soft'' do PT, a do André Vargas, Ângelo Vanhoni e Jorge Samek, atribuiu-se ontem, no encontro do secretariado no Museu Oscar Niemeyer, ao Padre Roque, da ala tida como radical do partido, a tarefa de fazer a exposição principal. Um dos pontos altos do discurso do religioso foi o de que apesar da herança maldita do governo Lerner o Paraná teria ampliado, em junho, em 15 mil empregos o seu mercado de trabalho. Ora ocorre que isso também só pode ser creditado à herança já referida porque não consta que algo feito pelo atual governo possa ter gerado emprego, a não ser na área oficial e para o círculo dos amigos e aliados.
Mesmo as iniciativas do setor mais racional e lúcido do governo, a Secretaria da Fazenda, embora importantes, não têm como produzir efeitos multiplicadores no quadro de recessão que oprime a economia brasileira. Só no momento em que forem geradas condições para a retomada do crescimento, as medidas fiscais de anistia e de queda de alíquotas do ICMS gerarão resultados concretos pelo fato de ampliarem as condições internas de competitividade dos nossos comerciantes, industriais e prestadores de serviços.
O MILAGRE Num quadro de estagnação só por milagre se pode ter algum fato positivo e pelo que se sabe a chamada ''malha produtiva'' a que se referia Lerner começa a sofrer tais efeitos como se deu com a unidade de Tecnologia de Comandos Automotivos de Ponta Grossa, produtora de cabos de condução elétrica para a Renault. A atividade se deslocará para Minas Gerais, esta sim segundo pólo automotivo do Brasil com a Fiat, hoje também em crise de mercado mundial e sujeita a revisões que felizmente não atingirão a New Holland por causa justamente do aquecimento do mercado em virtude das exportações, fato igualmente não computável entre os feitos da gestão inaugurada em 2003 na União e por aqui, regionalmente.
AUTOMOTIVAS Para se ter uma idéia da precariedade de alternativas do governo Lula é de anotar-se uma sugestão para que se reduza a incidência de tributos como o ICMS e o IPI na comercialização dos automóveis para que isso dê a arrancada para a tão necessária retomada de crescimento. Se isso ocorresse aqui no Paraná não se poderia, mais uma vez, atribuir qualquer feito à gestão atual, pois as quatro montadoras (Volvo, New Holland, Renault e Audi-Volks) foram implantadas nas gestões de adversários históricos do time que está em campo. Este, até agora pautado por uma agenda negativa, como a das invasões do MST e até das praças de pedágio e conflitos decorrentes das rupturas contratuais, a escalada da violência alcançando níveis jamais registrados. Das rescisões contratuais, muitas delas indispensáveis e compreensíveis, como a enlouquecida da Usina de Gás de Araucária ou as parcerias como as da Tradener, sujeitas porém ao crivo do Judiciário que nem sempre favorece aquele que se acredita o melhor intencionado e com a causa mais justa. Haja vista para aquele pagamento de R$ 90 milhões à CR Almeida no governo Lerner e ainda os precatórios de bilhões que têm para receber e Requião tenta transferir para a responsabilidade da União por causa da Estrada de Ferro Central do Paraná.

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