LUIZ GERALDO MAZZA
Estagnação de alto risco
Espera-se para logo e urgentemente um sinal de que o País sairá da inércia. Um deles estaria na redução expressiva da taxa de juros que operaria não apenas como fator psicológico, mas também indutor da retomada do crescimento. A sensação é de fim de poço e esses indicadores de deflação, ilusoriamente como positivos, decorrem da recessão e da demanda deprimida. Se esse quadro persistir mesmo economias saudáveis como a paranaense correm risco grave e com sequelas nas finanças públicas que desde maio assinalam queda de arrecadação.
Medidas que foram implementadas pelo secretário da Fazenda, Heron Arzua, como as relativas ao aumento do poder de competição estadual, via estímulos no ICMS e alterações nas alíquotas de 18% para 12%, só produzirão seus efeitos quando a economia sair da estagnação atual. E convenhamos que ainda há ''gordura'' da fase eufórica, de meses atrás, das exportações e seus efeitos internos.
Some-se tudo isso ao efeito perverso, quanto ao recuo do governo federal no caso da reforma previdenciária, nas instituições que apuram o risco Brasil e o encaram como em retomada de vôo e ter-se-á um conjunto de circunstâncias nada satisfatórias. Apesar do agito político, produzido pelas reformas, percebe-se que o imobilismo é a marca atual, ainda que essa viagem presidencial à Europa deva produzir efeitos favoráveis de médio e longo prazos. O cenário vivido aqui na província não se distancia muito dessa avaliação e o auê político soa como diversionismo e ociosidade nervosa, como aquela a que Sêneca se referia aos homens que andavam em delírio ambulatório pelas ruas de Roma e chegavam estafados ao fim do dia como se estivessem numa épica maratona.
ANÁLISE Ademais as interpretações no exterior e mesmo no Brasil do que ocorre no Paraná podem determinar um recuo na taxa de investimentos. Um país que não tem poupança interna e depende, especialmente, do aplicador externo não pode se dar ao luxo de buscar alternativas autárquicas, que se ligue apenas e tão somente na dinâmica do mercado interno. Se é verdade que há muitas razões para colocar em debate a onda de privatizações havida no país e suas consequências nada satisfatórias como se vê nas teles e no caso da ALL nos trilhos o poder de investir do Estado é nulo em qualquer nível de governo. A máquina pública, hoje submetida à Lei de Responsabilidade Fiscal, é autofágica: arrecada mal e mal para suprir o seu funcionamento na hipertrofia das despesas de custeio.
Para quebrar a monotonia desse cenário constrangedor não temos sequer, como em passado recente, as notícias de empresários que procuravam o governo para firmar protocolos de intenções, valendo-se das leis de vantagens fiscais e também as locacionais, estimuladas ainda por via municipal como a de oferta de espaços físicos para empreendimentos. Alguns falharam como a planta industrial da fábrica mais moderna da Refripar, hoje Electrolux, em Fazenda Rio Grande.
OFENSIVA Como fazer uma ofensiva no sentido de evitar, tanto no Brasil como no exterior, interpretações equivocadas quanto às ações do governo estadual? Muitas delas, como temos dito, e a da Usina de Gás de Araucária é um exemplo até chocante, podem ser explicitadas e tranquilamente justificadas. Quando Lula viaja ao exterior ele vai projetar imagem de um país que deseja abrir suas fronteiras e não fechá-las, como se temia que acontecesse, reproduzindo aqui um modelo como o venezuelano.





