LUIZ GERALDO MAZZA
Como Heloísa Helena
O nosso governador não muda o estilo, nem perde a ''deixa''. No lançamento do ''Fome Zero'' ontem pelo ministro da Segurança Alimentar, José Graziano, não deixou por menos e deu, num discurso candente, uma resposta duríssima ao líder do governo federal, Aloizio Mercadante, que fez restrições a rupturas de contrato (o que, de fato, é incabível no plano nacional) e a invasões de praças de pedágio, sugerindo que ele, Requião, estaria para os que pensam assim como a senadora Heloísa Helena para o PT.
Na verdade o senador petista cuidou de não nominar ninguém e simplesmente fez uma reflexão em cima de um episódio, aquele das invasões das praças de pedágio pelo MST, que todo o País deplorou até por sua inocuidade, já que o governador não teria a menor dificuldade em obter autorização legislativa para a encampação do sistema. Requião é fiel ao estilo, evita controlar seus impulsos porque isso deve levá-lo a um sofrimento inimaginável. A reação tem sua marca digital, testamentária e com isso ele se firma como uma variável ao realismo do governo federal amarrado por suas responsabilidades com o mundo exterior, o FMI, Consenso de Washington, o controle do risco Brasil.
O Paraná não é, numa república federativa, um ''ente'' autônomo. Algumas das preocupações do governo federal o atingem na mesma intensidade, mas Requião não está nem aí para essas condicionantes. Seu ato, relativo à Sanepar, que está longe de constituir uma ruptura, teve repercussão internacional, aqui já referida no sítio eletrônico da BBC na segunda quinzena de fevereiro pelo fato de a Vivendi ter pactos acionários com vários países. Na questão do pedágio ganhou socorro do governo federal para viabilizar a auditagem e devassar a ''caixa-preta'' dos consórcios e há multinacionais entre elas, inclusive a italiana ''Impregillo'', subsidiária da Fiat, e uma argentina.
Numa coisa o ato de Requião destoa com a postura habitual dos paranaenses, conformista e omissa: ainda que o revide possa ser maior do que a crítica havida revela disposição de defender o seu posicionamento que por enquanto ganha os aplausos da maioria, pelo menos no que se refere ao pedágio. Se vai ou não ganhar essa batalha ainda é cedo para saber. O espetáculo foi vivido com intensidade, a cortina do palco baixou, o eco do grito persiste.
BIZARRICE - Requião no Paraná está bem. Não é preciso Ibope para percebê-lo. Há uma questão: nacionalmente, como é a sua credibilidade? Se for boa, o chio marcará pontos. Se não for, rende menos e até um ''Tome zero''.
AXIOMA - No lançamento do ''Fome Zero'' o apetite maior foi o de Requião que se atracou no prato principal e na sobremesa, simultaneamente.
GLOSA - Por favor: tom vermelho nas paredes do Museu Oscar Niemeyer não é, sob o ponto de vista semiótico, adequado. Semiótico é um olho só, redundante.
FOLCLORE - Na Assembléia Legislativa há um núcleo de poder que se sobrepõe ao dos deputados: o comando burocrático da Casa é o mesmo há quatro décadas e isso é uma evidência de que esse imobilismo, mesmo quando varia a representação, é absolutamente consentido. E também sem sentido.





