Um porre de símbolos
Quando Paulo Pimentel botou um chapéu de palha na cabeça, por sugestão de Aníbal Khury e Rafael Iatauro, para ganhar uma eleição em 1965 ninguém estrilou. Como também não o fizeram quando José Eduardo Andrade Vieira, para ressaltar a sua condição de agricultor, usou o chapéu de texano que marcaria sua campanha senatorial. Outro que marcou bem, e aí num pesado estilo populista, foi Jânio Quadros ao usar, como candidato, um boné da CMTC. Nada porém gerou tanta controvérsia como o fato de Lula usar um boné do MST. É que o MST está de tal forma agressivo em suas demandas, incompatíveis não apenas com a lei como também com a realidade do País, que o gestual perdeu o sentido de empatia e de aproximação para o diálogo.
O presidente acabou dando nutrientes a um movimento que perdeu o rumo não só da história, como utopia retrô que é, como o apoio da maioria da população que já não o olha com a simpatia de dez anos passados, mesmo depois dos martírios de Corumbiara, Eldorado de Carajás e os aqui da terra. Em favor, porém, de Lula há um dado importante o de que não há um outro interlocutor como ele e tão qualificado para qualquer ação dissuasória. Essa circunstância o favoreceria, embora todos se recordem da posição de estadista de FHC, quando visitado por sem-terra, e que não permitiu a afixação da bandeira do MST na mesa, alegando que ali só caberia a bandeira nacional, que é de todos os brasileiros.
Deixando de lado a bajulação que virá a favor de Lula pelos empedernidos populistas, que se acreditam à esquerda, e o radicalismo dos reacionários de sempre que verão no gesto uma incitação à desordem perceberemos apenas que no altar das oferendas da sociedade do espetáculo houve mais um ato de exorcismo do medo e do terror do que um batismo de fogo e sangue.
BIZARRICE - Mais símbolos: uma agência de propaganda do Paraná fez um anúncio de vodca em que um clone do Papa João Paulo II, por ser polonês, aparecia bebendo, embora com maior discrição e classe do que o destemperado Yeltsin.
AXIOMA - FHC de chapéu de couro comendo buchada de bode no Nordeste. Pode?
GLOSA - Quem ganhou muito, em termos de marketing, com o presidente servindo de garoto-propaganda, foi o fabricante dos bonés do MST de Apucarana. Antes isso já havia acontecido com uma churrasqueira. Lula fazia uma chuleta e na foto apareceu a marca do equipamento. ''Merchandising'' circunstancial.
EPIGRAMA - A volta de Delazari à Segurança pode ser transitória se a matéria for examinada no STF, que aprecia pendências constitucionais, com jurisprudência clara sobre o tema. Outra derrota do Ministério Público é o entendimento de que casos como o do ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto são protegidos pelo foro privilegiado, tal qual se deu com Roseana Sarney. Decisão do TRF, do Rio Grande do Sul.
FOLCLORE - O prefeito Élcio Berti, de Bocaiúva do Sul, promete um viagem ao espaço sideral para o Coritiba se for campeão brasileiro partindo do seu ovniporto. Era melhor que o equipamento conduzisse a classe política que normalmente, de tanto mentir, vive no espaço intergalático.

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