LUIZ GERALDO MAZZA
Histrionismo didático
No meio do seu discurso, quando recebeu a homenagem da Aecic, o governador Roberto Requião resolveu baixar o sarrafo em mim. Jornalista não é notícia, a não ser quando vítima de atentado. Como estamos hoje transformados, nem todos é claro, para registrar e analisar os acontecimentos paranaenses, numa espécie de correspondentes de guerra, tal a intensidade dos tumultos que marcam o dia-a-dia do Paraná, só podemos agradecer o fato de essas convulsões não passarem de metáforas, não tão suaves como as de Lula, mas nem por isso menos definidoras de um estilo.
Fiz um comentário em cima de uma reportagem desta ''Folha'' que mostrou a evidência de que a redução do ICMS de 18% para 12% não atingira, pelo repasse, o consumidor. Houve uma troca de explicações entre fornecedores e a rede de supermercados, cada um com a especificidade de argumentos, estes dizendo que aqueles capitalizavam as diferenças e vice versa. Ninguém negou a importância que representava essa medida em termos de adensamento do mercado interno. Anos passados, quando a pasta fazendária era comandada por Edson Neves Guimarães, havia pesquisas frequentes sobre as relações internas e externas do comércio e da indústria pelas quais se conhecia o grau de autonomia dos setores. Visível era que num empório catarinense eram encontrados mais itens da terra do que se a observação fosse procedida num supermercado no Paraná.
Ora essa medida, a de reduzir o ICMS, bem como a outra que favoreceu micro e pequenos empresários, só poderia partir do lado mais lógico e cartesiano do governo, o do tributarista Heron Arzua, secretário da Fazenda que não presta vassalagem à politicagem. Tanto que quando foi à Assembléia Legislativa deve ter irritado meio mundo porque disse coisas justas e sensatas que os corretores da esperança não gostam como a de que a situação financeira do Estado não é boa, que a arrecadação caiu em maio e a tendência declinante pode ter se mantido em junho e que inexiste grana disponível para pagar qualquer depósito de indenização às consorciadas do pedágio.
POPULISMO - Requião disse que jamais faria o populismo barato para baixar as mercadorias nas gôndolas, mas prometeu leite e energia de graça para os excluídos e transformou a questão do pedágio numa cruzada, na qual Carlos Magno e seus pares de França tinham crachá do MST. Afinal também o autor da primeira Carta Magna era também um sem-terra, o Rei João Sem-Terra e isso em 1215, lá na Inglaterra. Enquanto o governo federal pisa em ovos para não afetar o Risco Brasil, Requião atua no sentido contrário, o da ruptura, e já passa a ter prosélitos na União, tanto que o Ministério dos Transportes mandou para cá um alto funcionário para decodificar planilhas com a mesma habilidade com que Champolion traduziu os hieróglifos, que eram menos complexos.
HISTRIONISMO - Agora ele chegar ao ponto de me imitar no seu discurso é o retorno glorioso aos seus tempos de teatro universitário. Só que já está sendo chamado pela imprensa nacional de ''Itamar cover'' e não assentaria bem passar ao ''Mazza cover'' desta província, cada vez mais histriônica, dramática e nem por isso menos divertida.





