LUIZ GERALDO MAZZA
O antiparadigma
O estilo turbulento de Requião o projetou em noticiário nacional. Quando da gestão prefeitural em vários artigos, para revistas e jornais, eu o apontei como uma espécie de ''subversão do diagrama'', alguém que romperia com toda a padronagem comportamental dos políticos, em que pese o seu populismo, que quase sempre é carente de novidade.
Além dos textos dos grandes jornais brasileiros agora as revistas nacionais é que se ocupam do tema como a novidade do momento. Enquanto rompia contratos e alguns deles envolvendo interesses multinacionais como o da Usina a Gás de Araucária (e que envolve a ''El Paso'' que tem investimentos no Paraná na busca de reservas de gás natural em Cândido de Abreu, sob licença da estatal Petrobras) e os da Copel, da informática e da propaganda a repercussão era mínima. Já no caso das pedagiadas, pelo radicalismo das medidas adotadas como a da autorização para encampá-las e mais a encenação das ocupações violentas das praças de cobrança pelo MST e caminhoneiros, foi dada a cota de nutrientes exigida pela sociedade do espetáculo e até o governo federal, normalmente bem cauteloso, acabou dando apoio logístico, via Ministério dos Transportes, para que se procedesse auditagem na ''caixa-preta'' das empresas.
Dentre as análises feitas, preponderou uma que considerou o nosso governante como um sucessor do Itamar Franco. Requião gosta, assimila a comparação porque o ex-governador mineiro, tido como nacionaleiro, tentou criar dificuldades inúmeras para FHC por causa da privatização da Cemig, isso sem falar na declaração de moratória que teve repercussão internacional. O apoio indireto à devassa contábil nas consorciadas do pedágio pode surgir como alternativa de revisão contratual na União, o que faria, como já disse, o Paraná de piloto de provas de saídas alternativas, ainda que de alto risco, para o Brasil.
BIZARRICE - Ações da Copel caem na Bolsa em função do desconto autorizado por aqui pelo governador. De São Paulo a Nova York elas desabaram. Pode ser que o Ibope do governador suba, o que não conteria os prejuízos.
AXIOMA - Segundo a coluna ''Diário'' de Silvana Quaglio, no jornal ''Valor'' de ontem, consultoria internacional calcula em US$ 6 bilhões a perda nos cofres estaduais em consequência dos atos do governo paranaense.
GLOSA - O simples fato de a viúva de Jamil Snege (muito amigo de Requião) haver assumido o controle da agência de propaganda Beta já excitou a concorrência que se vale da sociedade de Vera Bachman com Braga Côrtes Filho para sugerir que adversários explícitos do governo a integrariam. Dos ex-secretários de Comunicação Social apenas um, o Antoninho de Freitas, é o mais bem-sucedido de todos como dono da ''Master'' há muito dominando inclusive contas nacionais.
FOLCLORE - Ortega y Gasset dizia que a história é o homem e as circunstâncias. Hoje Requião recebe o título de ''homem Aecic do ano'' no Country Club. Ele dizia que a Cidade Industrial, que agora o homenageia, era o campo de golfe das multinacionais. Da mesma forma que fez a frase, com o acerto da dívida daquele complexo, quando governador, ele praticou um ato salvacionista.





