LUIZ GERALDO MAZZA
O risco psicossocial
A coluna ''Há 40 anos'' desta Folha na segunda página diariamente, às vezes, tem sincrônica função didática. Isso ocorreu anteontem quando ela se referiu às turbulências de junho de 1963 em Cornélio Procópio e que redundou em várias mortes, inclusive a do deputado estadual Nilson Batista Ribas por enfarte diante das emoções produzidas pelo tumulto. Houve tentativa de um linchamento contra autor de estupro (e me lembro claramente emocionalizada por um repórter de rádio) e o major PM, Djalma, que comandava o destacamento, se viu obrigado a abrir fogo contra os manifestantes. Houve mais dois mortos e cerca de 25 feridos.
É verdade que o clima de crispação que antecedia o golpe de 64 (nós mesmos, e fui o propositor da medida, fizemos em 63 a única greve de jornalistas do Brasil que não foi abafada) era apropriado e operava como uma condicionante. É apropriado uma comparação com os dias atuais no Paraná como vimos não apenas nas invasões das praças de pedágio como também no cerco do Legislativo e no caso do tumulto gerado pelo aumento das tarifas dos transportes em Londrina.
SAFRA TRÁGICA Não se pode também deixar de registrar a escalada de violência em todo o Paraná que alcança níveis jamais vistos. Londrina, Curitiba e especialmente Foz do Iguaçu, essa em termos proporcionais, ganham destaque na estatística de homicídios. De outro lado enfrentamos ocorrências trágicas como a da morte de três adolescentes em show no Jockey Club. Há, portanto, um caldo de cultura que tende a reativar, por acúmulo, a violência e, percebe-se, que o governo mal se mexe para enfrentar com determinação essa patologia. Como se não bastasse a pasta de Segurança perdeu o seu titular, depois de estar apenas e tão somente, e de forma simbólica, ocupada pelo próprio governador por cinco meses, o que é quase uma acefalia.
Se em alguns aspectos o governo se torna responsável pela omissão, como se dá na escalada geral da violência (assassinatos, estupros, latrocínios, roubos de carros e cargas) em outros ela ocorre por ação como nas manifestações do MST e de caminhoneiros com o propósito de pressionar empreiteiras, já que gente ligada ao Poder é que as deflagra, como mostrou o editorial do ''Estadão'' e ficou visível nas reportagens da CBN-Curitiba.
MEMÓRIA OPORTUNA O exemplo de Cornélio Procópio é apropriado lembrar porque em casos focais, localizados, como o das turbulências de Londrina que resultaram na morte de Anderson Amaurílio da Silva, ou nas difusamente procedidas ao longo de dezenas de praças de pedágio e também nas invasões de terras, há todo um caldo de cultura para a histeria e capaz de gerar o descontrole diante do qual a autoridade se deixa travar, em muitos deles, por motivação estritamente de caráter político.
Como estamos em safra de agito - movimentos contra a reforma previdenciária e por reajustes salariais como o recente da URBS e dos professores- convém levar em conta que a possibilidade de perder os controles está aí à nossa frente e que podem terminar em tragédia como a de Campo Bonito na primeira gestão de Roberto Requião com três PMs mortos e mais o líder Teixeirinha.





