No cenário nacional

Para o bem ou para o mal, vale a rima, posto que não seja solução, o Paraná aparece no cenário nacional. O editorial principal do ''Estadão'' ontem fazia uma veemente censura aos episódios da terra sob o título ''A jogada ensaiada Requião-MST'' nas perturbações nas praças de pedágio.
Se para o jornal de linha mais austera do País, que nem no tempo de Lupion tratou um governante da terra com tanta dureza, o radicalismo populista é um atraso já não se percebe o mesmo no ainda ungido governo federal, pois a pasta dos Transportes acabou convalidando as ações do Paraná e a ministra das Minas e Energia acatou o desconto das tarifas que Requião adotou na Copel. Tudo isso dá a impressão de que o Paraná, que já tem a sua Capital como área de testes de ''marketing'' e de lançamentos culturais e urbanísticos, pode transformar-se em piloto de provas de alternativas do Poder no concernente à ruptura de contratos, hipótese que a União despreza pela circunstância de aumentar, de forma perigosa, o Risco Brasil e jogar o dólar, outra vez, nas alturas.
A mini-guerrilha no Paraná, se der certo, pode melhorar o cacife de Requião em nível brasileiro, o que é um pouco provável pela ausência de espaços de manobra no campo federal para audácias do gênero. A BBC de Londres, pela Internet, faz referências a essas convulsões, inclusive em fevereiro abordou o fato de que ''no sul do Brasil'' ocorrera a pressão sobre o consórcio Dominó na Sanepar, referindo-se especialmente ao grupo francês Vivendi. No caso das concessões de pedágio há também multinacionais como a ''Impregillo'', ligada ao grupo italiano Fiat, que está em crise e sem condições de muita conversa, e uma argentina com interesses ainda na Redran que explora o terminal portuário de contêineres. A hora em que essas coisas ganharem o campo internacional o efeito será bem maior do que o do editorial de ''O Estado de São Paulo''. É um tipo de temática que extrapola a perspectiva da nossa querida aldeia.
BIZARRICE Para que se tenha uma idéia dos limites que amarram o governo Lula basta analisar o ocorrido anteontem, quando, durante todo o dia, o noticiário dava a impressão de que as tarifas telefônicas não aumentariam. À noite deu para perceber que tudo não passou de ''papo furado'' e boa intenção. As teles envolvem interesses multinacionais, certo? Bravata não basta.
AXIOMA Às vezes um fio de esperança morre no fio telefônico.
GLOSA Nem tudo ''é o fim!''. Às vezes não passa de ''FMI'' e pronto.
FOLCLORE O que vai ter de ''enrustido'' hoje se escondendo e até sumindo da cidade por causa da passeata ''gay'' de Curitiba é de esperar-se, mas se trata de um direito inviolável, esse de proteger a privacidade. Quem não tem ''orgulho'' do que é acaba se escondendo, às vezes com medo de si mesmo. Os políticos da área, seja para manifestar solidariedade ou adesão, somem, apesar do exemplo de José Genoíno em São Paulo no desfile gigante dos ''gays''.
AFORÍSTICO Baixando tarifas, pedagiadas assinarão confissão de culpa.

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