LUIZ GERALDO MAZZA
O Tigrão e o Tchutchuca
A política paranaense tem todo o jeito de estar sob o signo do funk. Quando Requião acusou os irmãos Alvaro e Osmar Dias de bancarem os tigrões no Paraná, mas se mostrarem tchutchucas em Brasília relativamente a FHC, levou-os a provarem o contrário assinando a CPI da Corrupção, embora fossem do PSDB. De certa forma foram muito além do que a porreta Heloísa Helena anda aprontando para o Lula. E acabaram ejectados do tucanato.
Pois agora o funk apareceu de novo quando o tal dirigente do Brasil Caminhoneiro, Neuri Tigrão, declarou na CBN-Curitiba, ao saber que corria risco de multa diária de R$ 100 mil, conforme decisão judicial, já que era o animador maior do auê nas praças de pedágio, que o coordenador era um destacado membro da tropa de choque do PMDB. Antes aureolava-se o militante, sob prensa, que nada deveria dizer nem sob tortura. O tigrão às vezes pode passar por mais um tchutchuca. Tirar o seu da reta é uma forma indireta de não pagar um outro pedágio mais doloroso, o dos 100 mil paus por dia.
Como tudo isso está documentado não vai ser fácil a posição do governo em juízo para provar eqüidistância do exercício de pressão, pela violência e o terror, contra as concessionárias do pedágio. Agora essa situação não decorre de presunção, mas alicerçada ainda na resistência às ordens judiciais, não só a relativa às ocupações de terras como a das praças de pedágio, e mais também na omissão da Polícia Militar, tal qual se deu, no primeiro governo, na invasão da Ferrovila por arruaceiros que no seu pobre imaginário se acreditavam uma espécie de Chê Guevara ou Zapata do Sítio Cercado.
Assim é que uma boa causa é perdida. Não há necessidade de se valer do ritual fascista para acuar os empreiteiros, já que a maioria esmagadora da população estava com o governador Roberto Requião no empenho em fazer baixar tarifas. A essas situações sempre uso uma metáfora, não tão badalada quanto as do Lula, todavia funcional como filosofia e pedagogia: em jogo de peteca não se deve apelar ao tacape. Tacape é proto-história.
BIZARRICE Guilhobel Camargo está para Requião como o Candinho Gomes Chagas para Lerner e companhia. O Candinho, louco para que o Cassio Taniguchi, o processe, que ele chama de Cassioníquel por causa das multas eletrônicas, o Lelo tocando ações contra o governo atual. Pessoas assim incomodam, mas são necessárias. A última do Guilhobel é sugerir que o Executivo e o Legislativo incidiram em extorsão contra as concessionárias. Artigo 158, Código Penal. Exagero leva a exagero.
FOLCLORE Curitiba vai ter uma passeata gay neste sábado. Em São Paulo alguns héteros (ainda existem, apesar das aparências em contrário) estiveram no espetáculo com um milhão de participantes e aqui a turma é encabulada, curitiboca demais, para soltar a franga. Ontem na Comunicação Social da Prefeitura a redatora elaborou a notícia. Fez a gravata Parada gay e no título essa pérola Diretran orienta motoristas para desviar o anel central. Obviamente pelas retumbâncias semânticas o texto foi mudado.
AFORÍSTICO Em rede nacional da CBN, o Tigrão disse que o PMDB era quem mandava no agito das praças de pedágio. Dá para imaginar porque a intervenção gorou.





