A dívida contagiosa


Das dívidas que o Paraná tem a do Banestado, até pelo conhecimento do que lá se fazia como a lavanderia de Nova York, é pesada, mas não impagável. A da ferrovia Central do Paraná, que liga Apucarana a Ponta Grossa, pode até se tornar palatável se a União a assumir. Da mesma forma a possível que advier da questão do pedágio pode ser administrável, ''sair na urina'' como a expressão de mau gosto sugere. A pior virá do enlace com o MST, que afinal foi quem assumiu a ocupação das praças de pedágio, com alto senso logístico, pelo que tem de contagiosa. A reciprocidade será cobrada e a celeridade nas invasões alcançará níveis intoleráveis com o governo até as estimulando como faz quando não pratica um só ato dissuasório e negando-se a cumprir decisões judiciais.
Uma parceria com o terror e a barbárie está montada com a mesma naturalidade com que Lerner o fazia com os burgueses das terceirizações e privatizações em nome da ''modernidade'' como as dezenas promovidas na Copel. O ex-governador, Jaime Lerner, como seguidor rigoroso do formulário neoliberal, dizia agir com alto senso de estratégia para mudar a economia e a sociedade paranaenses e obviamente, como se constata, não o conseguiu. Requião assume o discurso ''retrô'', do atraso, e talvez mais autêntico, embora seguramente selvagem. É o atraso mimeticamente fantasiado de progressista (Mussolini dava aulas em torno do tema com suas brigadas de camisas negras) e restaurador tentando dissimular a barbárie.
Não se pode negar que foi aplicado um xeque-mate nos consórcios submetidos ao ''dá ou desce'' com o ato de intervenção a pretexto de preservar a ordem pública que foi planejadamente submetida ao corsarismo. Resta saber como o governo assumirá o comando das operações sem acordo com as pedagiadas e como se afastará o risco de mais um pedido de intervenção federal. Todos apoiavam a baixa das tarifas, claramente extorsivas, porém só a insanidade daria respaldo a tudo o que foi feito, ainda mais com o descumprimento, outra vez, de inúmeras decisões judiciais como as relativas à ocupação e depredação das praças de pedágio.
BIZARRICE O Paraná é a Venezuela do populista Chavez, ainda que em certos momentos as coisas lembrem mais o Chaves da tv mexicana, aquele que aparece na SBT do Paulo Pimentel.
AXIOMA Por falar em Pimentel que tarifa apimentada essa da Copel! É daquelas que eletrocutam o usuário na hora em que recebe a fatura.
GLOSA Se é ''Xô, Pedágio'' por que o governo não acatou a emenda do deputado Durval Amaral pondo fim, de uma vez, na cobrança?
FOLCLORE Quem semeia ventos colhe tempestades lembrava um crítico de Requião ante as manifestações de ontem. Para muitos no entanto a bonança é estar na crista da onda das turbulências e aí praticar o seu ''surf'' como é do estilo.
Afinal os tubarões seriam os empreiteiros, fáceis de capturar.
AFORÍSTICO Se as empreiteiras vierem agora para o acordo ficará demonstrado que tinham pavor de que o governo dominasse o movimento das catracas.

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