LUIZ GERALDO MAZZA
Uma Ferrovila gigante
No governo Lerner, quando houve o problema de Santa Izabel do Ivaí, no choque entre PMs e o MST o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o engenheiro Luis Alberto Kuster, entrou com medida judicial para liberar o acostamento da rodovia próximo ao ponto do conflito. A situação era a seguinte: os sem-terra invadiam a fazenda e quando havia ordem de despejo saiam do local e acampavam no acostamento da estrada. Assim o DER, alegando que havia risco de vida das pessoas que lá se encontravam e, além disso, dificuldades operacionais na estrada, secundava com ações as medidas pleiteadas pelo proprietário esbulhado na região.
Dramatizando a situação e isso ouvi do próprio Kuster ele alegava que aquela situação poderia criar uma ''Ferrovila'' nas dezenas de milhares de quilômetros de rodovias estaduais e federais. A ''Ferrovila'' foi uma invasão de área na Capital em que o Bamerindus desenvolvia um projeto de condomínio classe média e que contou com a notória omissão da PM no primeiro governo Requião. À época achei que a imagem era ''ideologizada'', mas ontem deu para perceber que o inimaginável é possível com a orquestrada invasão das praças de pedágio no Paraná pelo MST em alegado alinhamento pela baixa da tarifa ou sua extinção e o fim dos transgênicos.
Quando houve a tragédia do Jockey Club não foram poucos os que tentaram criar um nexo de causalidade físico-subjetiva entre a instituição e o resultado. E a de ontem, que redundou em abertura forçada das praças de pedágio com violência e depredação, essa está fora desse tipo de raciocínio?
Estamos na fronteira da barbárie com esse estado de generalizada anomia: decisões judiciais não são cumpridas, o extrapolado jogo de pressões em cima de um Legislativo que todos sabem dócil e subserviente ganha dimensões de um delírio, em que se torna impossível o Estado de Direito Democrático. A Justiça não pode, em hipótese alguma, fazer o jogo dos passionais e para recompor a ordem violada precisa agir com energia no sentido de recompor a malha legal.
LIMINAR O desembargador Leonardo Lustosa, relator de agravo de instrumento, em negativa de liminar contra a designação de promotor de Justiça para a pasta de Segurança, Luiz Fernando Ferreira Delazari, acatou o pedido de liminar do advogado José Cid Campêlo Filho, suspendendo a eficácia de nomeação. Doutrina e jurisprudência fartas embasaram a decisão.
Infelizmente a Justiça não pode ter a rapidez necessária em casos como o de ontem na invasão das praças de pedágio, o que permite por momentos que o rumor de grupos articulados se sobreponha à lei, semeadura do fascismo, já que a sua essência mais íntima é a violência.
DEMAGOGIA O Brasil deve, sobretudo, à Embrapa o avanço científico-tecnológico na agropecuária que o colocou acima dos Esteites e Europa. Assim mesmo o Padre Roque acha justo sacrificar uma fazenda-modelo da instituição para transformá-la numa agrovila dos que a invadiram. A impotência diante desse estado de coisas só não é maior do que a vivida em função do crime organizado e a capilaridade alcançada no País. Perdemos todos os referenciais.





