Paraná à margem
  Apesar da vitória de Lula e Requião por aqui, as expectativas de que o Paraná fosse prestigiado em nível elevado não se consumou. Continuamos com um papel de figurante secundário do processo, até pela circunstância de termos mantido a Binacional de Itaipu.
  Também não nos favorece o peso da contribuição que damos na economia e, em especial, nas exportações. E não é por falta de apoios internos, pois como sempre empresários e políticos se uniram no habitual mutirão (prejudicado pelo excesso de apego à mídia e ao espetáculo) em favor da causa.
  Vamos ser golpeados na reforma tributária, pois a intenção majoritária de governo é de evitar a cobrança do ICMS na origem. A possibilidade de exceção na regra em favor dos produtores de petróleo e de energia elétrica é cada vez mais remota, o que de saída nos retirará meio bilhão de reais por exercício. O atual secretário da Fazenda, Heron Arzua, que se recusa a fazer o jogo surreal dos políticos, corretores da esperança, já fez a advertência com a secura habitual. O governador, pelo menos de forma visível, não tem aparecido nas articulações que outros colegas estão adotando para defender suas receitas nos casos específicos do petróleo e da energia elétrica.
  Apostaremos todas as fichas em nossa representação parlamentar que não pode fazer o jogo alienado e suicida da Constituinte de 88 quando nem se mexeu para evitar que prosperasse a emenda José Serra que nos prejudicava e, é claro, beneficiava São Paulo como se já não bastassem tantos estímulos históricos que o favorecem. É de se perguntar, outra vez, o que havia no fato de Richa e Euclides Scalco figurarem entre os cardeais do tucanato e os pró-homens de Fernando Henrique Cardoso. Estamos em tempo de virada institucional como se dava em 1988 e pelo jeito ‘‘dançaremos’’ outra vez. Ontem era a Constituinte, que não teve força suficiente para motivar os homens de cúpula a brigar por nossas causas, e, agora, acabaremos tendo papel importante nas reformas sem qualquer vantagem de reciprocidade.

  CARTAS O empresário Guilhobel Camargo tem se comunicado com regularidade, em cartas, com o governador do Estado e que, por vezes, manda respostas. Na mais recente cita Aristóteles (‘‘Política’’), Isócrates e Erasmo (o de Rotterdam, certamente, não o Dias, coronel da direitona). Diz o seguinte: ‘‘Se estivesse mais atento no conteúdo dos ensinamentos de Aristóteles em Política saberia que há duas coisas que contribuem especialmente para minar o governo - o ódio e o desrespeito. A boa vontade é o oposto do ódio; a autoridade é o oposto do desrespeito.
  De Isócrates a recomendação: ‘‘Faça respeitar sua autoridade, não pela dureza no comando ou pelo rigor dos suplícios, mas sobrepondo-se aos outros homens pela sabedoria e deixando-os convictos de que você lhes dá mais segurança do que teriam por meios próprios.’’ Outra de Isócrates: ‘‘Não suscite contestações sobre toda espécie de assunto: atenha-se àquelas que, se ganhas, podem trazer-lhe vantagem.’’ Para encerrar outra, essa de Erasmo ‘‘Deve fazer o bem mesmo a quem for ingrato, mesmo a quem não compreender, e mesmo a quem lhe resistir. Se estas coisas não são do teu agrado, por que assumes o ofício de governar?’’ Convenhamos que é sutileza clássica demais para nossos dias.

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