O politicamente correto


Um dos piores cacoetes do nosso tempo é o da obrigatoriedade de ser politicamente correto. Isso atinge escritores, filósofos, pedagogos, compositores e, em especial, os políticos. Percebe-se, tanto no governo Lula como no de Requião, essa interferência, especialmente diante dos chamados movimentos sociais.
Na obra de Norberto Bobbio ''O futuro da democracia'' é enfocado o tema da mais alta relevância em filosofia política no debate entre as alternativas do ''governo das leis'' e ''o governo dos homens''. O populismo, doença ainda não expungida dos nossos hábitos, coloca a segunda alternativa como preferencial e motivo de idolatria. Daí deriva o culto ao homem providencial que está acima até das circunstâncias de sua época, conforme o alerta de Ortega y Gasset.
Outra componente de tudo isso é o ''voluntarismo'', uma contradição em termos para deterministas como os auto-proclamados marxistas, muito em voga mormente em grupos radicais. Se a realidade é assim, providencie-se a sua revogação.
É essa noção de ''politicamente correto'' que deixa tanto Lula quanto Requião imobilizados ante as ações, cada vez mais ousadas e truculentas, do MST. Aqui, no mesmo dia em Requião declarou sua impaciência com os sem-terra, um grupo de mil deles invadiu fazenda em Rio Bonito do Iguaçu. Dá para lembrar que foi em Campo Bonito, no primeiro governo de Roberto Requião, que tivemos a maior das tragédias com a morte de três PMs e do líder sem-terra, Teixeirinha, fato que levou a OEA por sua dependência de direitos humanos considerar o governo brasileiro responsável pela ocorrência.
Naquele evento Requião, que agia sempre como mediador em favor dos sem-terra, foi passado para trás tanto pelo MST quanto por alguns PMs, pertencentes à P-2 e que faziam um ''bico'' em favor de um fazendeiro para recuperar máquina agrícola e nessa condição foram linchados por serem confundidos com jagunços. O MST quebrou um compromisso ao ampliar a área de invasão e os PMs, que não estavam em função oficial, conforme sentença do juiz Paulo Hapner, tiraram das respectivas viúvas direito à indenização, pleiteado e negado na Justiça.
Vejam como a malha dos acontecimentos torna impossível o monitoramento e a possibilidade de perda de controle é risco permanente. Esperar, no entanto, que basta um alertamento para conter tais impulsos é inútil. Está visível que é mais fácil controlar a própria PM do que o MST, embora a ênfase maior tenha sido naquela e não nessa hipótese.
ITAIPU A binacional lança hoje em Foz um plano abrangente para combater o assoreamento da bacia de acumulação. Monitoramento de satélite mostrou que apenas o Rio São Francisco Falso despeja 17 mil toneladas de sedimentos por ano no lago. Gestão ambiental de 16 municípios é ampliada para 28 no Oeste. Há, ainda, o problema da erosão do arenito Caiuá desde o Rio Paranapanema.
Quando da construção de Itaipu já se falava sobre a hipótese de a barragem ficar comprometida, argumentando-se que a hidrelétrica de Ilha Grande, hoje abandonada e transformada em parque, seria um meio de conter sedimentos.

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