Níveis de tolerância

O governador mostrou-se impaciente com os abusos do MST, quando, na verdade, os estimulou de forma direta. Diante do transbordamento, fez uma ameaça: a de que vai cumprir mandados de imissão de posse. Ora essa é obrigação imperativa do governador configurada no cumprimento da lei, já que decisões judiciais têm força de lei. Anteontem mil sem-terra invadiram área em Rio Bonito do Iguaçu.

Para os professores, antes do agrado dos diálogos de anteontem à tarde, houve aquela advertência de que cortaria o dia parado e não apenas isso e também o abono de assiduidade de R$ 100,00, herança de Lerner, dada como compensação após tensões grevistas. O impulso bem no estilo Requião provocou um frio na espinha dos manifestantes. Aí veio aquela história de novos diálogos e um papo mais sério em julho.

Estamos no sexto mês, os conflitos se acentuam, o consórcio Dominó vai à Justiça discutir a composição acionária da Sanepar (que o governo tentou prevenir com mudança nos atos institutivos da empresa), os bingueiros fazem o mesmo na instância apropriada (Tribunal Regional Federal), os que tiveram seus contratos rescindidos em outras áreas também e a frieza dos beneficiários do pedágio é prova de que não se intimidam com o cronograma da encampação. Pipoca bronca de tudo que é lado. Se para reunir os auxiliares do secretariado houve necessidade de dar um pito esculhambativo, genérico e irrestrito, imagine-se a que acrobacias será levado daqui para a frente quando as contradições aumentarem e aproximar-se o calendário eleitoral.

A tolerância zero sugerida para a Segurança até agora não operou: nada de punição exemplar ou remoção da ''banda podre'' e a escalada da criminalidade vai manter o problema como a maior angústia da população. O tal líder do Movimento pela Moradia, Anselmo Schwertner, chegou a afirmar, com a maior convicção, que tinha certeza de que a polícia do governo Requião dificultaria a execução de medida judicial de despejo da manobra selvagem que ocupou um prédio do Banestado no centro de Curitiba. É muito precário esperar que advertências do governo funcionem como fator dissuasório.

BIZARRICE Começou a temporada das passeatas e greves junto com as invasões. E continua, também sem alteração, a da violência.

AXIOMA - Ainda bem que os professores não entoaram aquela do Geraldo Vandré que pelo jeito dá mais azar do que ocorria com a histórica ''Ramona''. Quem a cantasse acabava mal em desastre, sangue e morte. Com um detalhe mais grave: o de que quem fez a hora e não esperou acontecer foi a direitona.

GLOSA - Se Greca for candidato pelo PMDB, a Justiça poderia impedir que se publicasse o que o Doático Santos disse dele no processo que intentou?

EPIGRAMA - Caíram os juros, o dólar subiu e ações entraram em queda. Esse iô-iô, como o folguedo infantil, parece altamente manipulado, ainda que o atribuam ao Deus Mercado mais poderoso e inflexível do que o Grande Irmão.

FOLCLORE - As metáforas do Lula estão lembrando os bilhetes do Jânio Quadros. Só que aqueles eram escritos em português da arcádia.

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