A casca velha e a cascavel


Num encontro de sindicalistas havia uma proposta em debate que deixou o líder químico Expedito Rocha, comunista ortodoxo, desconfiado de intenções ocultas. Resumiu tudo numa frase, bem mais estruturada do que essas metáforas do Lula, ao frisar: ''Meu velho pai já ensinava que embaixo de uma casca velha pode haver uma cascavel''. Dispensado o efeito de poema praxis, pelo que há de imagético e semiológico, no animal dissimulado no mimetismo da casca velha, ela é aplicável no caso da tal gratificação de assiduidade de R$ 100 que Lerner deixou como herança para os professores.
Ocorre que declarada a greve e deflagrada a passeata dos mestres ao Palácio Iguaçu, o governador Roberto Requião matou a cobra e mostrou a casca velha ao lembrar que o abono por ser de assiduidade sistematicamente deixaria de existir com a paralisação. Em termos de lógica, o raciocínio é correto: como se encarar um ato grevista compatibilizável com a assiduidade?
Só falta agora o efeito retardado da percepção maliciosa, que inspirou a tal gratificação. A medida tem tudo de um antígeno, de uma vacina, anti-greve. É uma forma poética de combater a vulgarização da greve, especialmente as dos professores, sejam estaduais ou federais, e que nada trouxeram de avanço às respectivas classes, mas sofrimento aos alunos, aborrecimentos aos pais, degradação da qualidade do ensino e banalização de um instrumento de luta, importantíssimo nas democraciais, transformado em rotina e abuso.
Uma greve na essência é um ato revolucionário, de ruptura da paz social e da harmonia comum entre os litigantes e não pode deixar de ser ''ultima ratio'', de recurso excepcional, para servir de abertura, preliminar, de contendas. Vulgarizada, perde o respeito; procedida com cautela, obtém vitórias, como a dos obreiros metalúrgicos, inclusive os do Paraná, mesmo fora dos prazos fixados no contrato coletivo de trabalho e num cenário pré-recessivo.
PRESTÍGIO Volto ao tema: o que ganha o Paraná com postos federais? Euclides Scalco, que era um dos cardeais de FHC, pouco nos legou de prático. Quase um primeiro ministro, ainda que acumulando Itaipu, não providenciou nada em favor do caso do Hospital de Clínicas, embora figurasse como um dos seus membros mais atuantes na ''sociedade de amigos''. Agora o Samek, homem forte do Paraná junto a Lula, está lá e ainda que seja um conviva do presidente para drinques e pescarias, pelo jeito também nada conseguirá.
Nem Scalco e muito menos Deni Schwartz se beneficiaram pelos postos que ocuparam. Tanto que figuraram entre empregados do empreiteiro Darci Fantin que, por sua vez, foi sócio de Canet Júnior na fábrica do Caic brizoleiro.
FOLCLORE Depois da ''babada'' de Requião houve ''quorum'' no Canal da Música ontem. Como todo o mundo, a partir do presidente Lula, está ansioso para resolver o problema da pobreza verificamos que havia dois mapas da pobreza, um do Ipardes, outro do Iapar. Estamos, pois, com riqueza de mapas da pobreza.

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