LUIZ GERALDO MAZZA
Maneco Facão 2?
A bronca do governador ontem no Canal da Música diante do elevado número de secretários que não compareceram ao encontro, seguida da ameaça de demissão de todos, caso não compareçam lá na manhã de hoje, realimenta a idéia de que use como paradigma o governante Manoel Ribas, imposto pela Revolução de 30. Uma das semelhanças está, por exemplo, na circunstância de fazer ''incertas'' nas repartições para pegar os que não comparecem ao basquete. Como se viu nessa explosão no Canal da Música, em que só compareceu o maestro e faltou a maioria dos instrumentistas com o que os reincidentes da ausência estão ameaçados de ''dançar'', mesmo sem música e com um pouco sonoro ato de exoneração.
Não tão cáustico no humor, mas generoso com os que o enfrentavam colocando a verdade em cena, Maneco Facão é distante de Requião, não apenas no histórico, mas por ter vivido circunstâncias bem mais criativas como a de um território escassamente povoado e no qual uma viagem de Curitiba a Lapa, justamente para uma ''incerta'', em estrada precária e macadamizada, era uma epopéia. Incertas de Requião são muito próximas, quase vizinhas.
Imaginem um homem que tudo podia num regime revolucionário, depois de uma cansativa viagem, chegar na Lapa e não encontrar nenhum hierarca da função pública em seu posto: nem o chefe do Posto de Saúde, o da Coletoria, muito menos o inspetor de ensino e o delegado de polícia. Aí veio a frase forte e degradante: ''Lapa, berço de heróis, terra de vagabundos!'' Dizem, e isso bem pode ser folclore, que reverenciava os que lhe diziam a verdade, pois essa é uma virtude impraticável em política.
O secretariado de Requião, depois da bronca de ontem, vai despertar cedo e com isso mostrar que a divisa de Maquiavel é forte: aquela que proclama que mais vale ser temido do que amado, embora os dois sentimentos, às vezes, sejam convergentes, apesar de uma aparente ambivalência.
BIZARRICE - Depois do incidente de ontem, o Canal da Música pode mudar de nome para Canal da Bronca ou da Verrina. Verrina é a censura, violenta e pública, que decorre dos discursos de Marco Túlio Cícero, maior orador romano, contra Verres, proconsul de Roma, a quem dedicou exemplares críticas. As verrinas são menos famosas do que as catilinárias, a pregação contra Catilina.
AXIOMA - ''Sou insubornável'', diz Requião na revista IstoÉ Dinheiro da semana. A maioria das empreiteiras do pedágio acha que ele é ''insuportável''.
GLOSA - É mais fácil entender cálculo atuarial para demonstrar o furo das contas previdenciárias do que explicar planilhas, sejam as dos transportes coletivos de Curitiba e Londrina ou a do pedágio. Matemágica é mais arte que ciência.
FOLCLORE - Linguistas e intelectuais estão elogiando a simploriedade das metáforas de Lula. Um maldoso e azedo viu uma semelhança com o personagem daquele filme ''Além do jardim'', o vidiota, encenado por Peter Sellers.





