Suicídio & sensatez


Nesse caso Copel-Sercomtel, que deu margem ontem às habituais esquivas na CPI respectiva, reina o maior silêncio em torno da convocação de Belinati, afinal o prefeito que a negociou. Teme-se não só o que ele possa dizer como ainda de um ganho extra de popularidade em cima do vitimalismo que já o colocou, vejam a contradição, em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de votos para voltar a tocar a prefeitura. O maior bloqueio, no entanto, não é esse e sim a qualquer avaliação detalhada, testemunhal e com acareações múltiplas, do fato escandaloso de uma CPI, já instalada, ser extinta horas depois, como ocorreu na legislatura anterior e na qual figuravam vários dos atletas hoje em ação.
Há quem ache que é impossível esperar tanto desapego dos parlamentares, o que significaria uma espécie de suicídio coletivo, ainda que parcial. Seria, no entanto, um momento de exaltação à verdade, um tributo dos mais profundos ao exercício da ética, mesmo que parecesse uma ação fundamentalista comandada por algum Jim Jones, convertido a um seminário de trapistas.
Aliás, a rigor o suicídio já houve, precisamente no instante em que derrubaram a CPI, o que deixou as mais terríveis suposições em torno da moeda de troca, o que faria do Legislativo como instituição algo ligado ao exercício mais negro da chantagem e da extorsão. Se houvesse a explicação teríamos algo depurado, limpo e meridianamente claro, muito próximo de uma ressurreição gloriosa.
LENTIDÃO Muita gente fala da lentidão do Judiciário que se deve não apenas aos nossos rituais, prenhes de incidentes, como também a uma questão cultural. O processo contra Maluf naquela doação de fuscas aos campeões mundiais de 70 só teve o julgamento final, absolutório, no ano passado, 30 anos após.
Nesses dias o governador Requião teve que ir ao STJ por causa de um incidente de eleição municipal, em Curitiba, de 1992. Mais adiante deverá novamente ir à mesma instância para o caso de Campo Bonito, conflito de sem-terra, em que nada menos de quatro pessoas morreram, três PMs e o líder Teixeirinha. Ainda anteontem a 4 Câmara Cível do Tribunal de Justiça confirmou decisão da primeira instância que manda a TV Educativa indenizar vereadores da Capital apontados como ligados ao cartel do transporte coletivo. Isso se deu à véspera da eleição para a Comissão Executiva da Câmara Municipal e visava constranger vereadores que apareciam no vídeo mostrado na estatal. Também governo Requião.
Todos esses eventos, os três, acumulam mais de 11 anos.
Na verdade o autor de uma ação quer a Justiça rápida. Já o réu a quer lenta. Aproximar os dois pólos é complicado e, o mais das vezes, dá curto-circuito.
NA PAUTA Órgão Especial do TJ aprecia hoje casos do Alborghetti e do Bradock.
PARAÍSO Da mesma forma que a classe operária não foi ao paraíso com a chegada das montadoras, como apregoava Lerner, o IPEA, órgão técnico do governo, mostra que adotado o remédio amargo da Previdência déficit cairá apenas 13%.

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