LUIZ GERALDO MAZZA
Apolo e Dionísio
Com a entrada em campo da racionalidade o depoimento de Heron Arzua, da pasta fazendária, sobre a situação financeira desses cinco meses e as perspectivas imediatas desapareceu o ''frisson'' da Assembléia Legislativa habituada ao emocional, bravatas orquestradas, farolagem nas CPIs, e desceu sobre o ambiente o peso da seriedade e de certa forma da ausência de espaço para utopias mirabolantes.
Curto e grosso, foi dizendo, com sua habitual seriedade (os políticos têm horror disso e já chamam essas pessoas de ''tecnocratas'' para mostrá-los como distanciados das esperanças populares) que a arrecadação caiu em maio e pode até cair mais, que não vai pagar qualquer precatório por absoluta ausência de recursos, que não foi consultado sobre a encampação das rodovias pedagiadas e que não há qualquer dinheiro para a indenização, que o Paraná sempre teve uma certa capacidade de endividamento hoje saturada pelos atuais compromissos.
Os deputados estaduais, em maioria, por sua histórica subserviência, estão acostumados a ouvir o que desejam e não o que é preciso. Por isso andavam ''aquecidos'' com os factóides da moda e ficaram obviamente pasmos com o trauma provocado pela verdade e o documento que nada têm de retóricos.
O filósofo Nietzsche, uma das raízes do existencialismo, tinha o hábito em suas análises sobre arte e filosofia em estabelecer um divisor entre Apolo e Dionísio. O nosso governador, por jogar preferencialmente no campo do emocional, até do artístico, ainda que pareça o contrário, é um dionisíaco e Arzua claramente, pelo apego ao reto raciocínio, um apolínio. O depoimento de Heron Arzua é o do real e do possível, o do governador o do desejável. Às vezes se parecem muito próximos, mas na verdade a distância entre ambos é em anos-luz. Pode-se dizer que o recado de Arzua, sabidamente a figura mais séria do governo, tem uma carga inibitória muito forte à demagogia e passionalismo. Quando se tentou dizer que o governo encontrara o Erário em crise, o documento frio, sem manipulação, na Internet, da Fazenda dizia que havia em 1º de janeiro nada menos de R$ 720 milhões em caixa.
BIZARRICE Se o Paraná não tem condições sequer de pagar precatórios e muito menos de indenizações como a imaginada para a encampação do pedágio que tipo de cenas assistiremos daqui para a frente? Vale a pena ver de novo.
AXIOMA Um jornal semanário sugere que quem sabe tudo sobre o Banestado é Giovani Gionédis. Agora só falta um coxa sugerir que isso é coisa urdida por atleticano para desestabilizar o time que está na frente.
FOLCLORE Encerrado o depoimento de Heron Arzua na Assembléia houve um momento de pasmo entre os deputados, em maioria corretores da esperança. A secura das afirmações deu a entender que o sonho acabou, o que não significa um pesadelo, e que ainda há possibilidade de se encontrar risólis, quibes e coxinhas.
AFORÍSTICO Esperar Godot é mais realista do que o tesouro chinês no Museu.





