LUIZ GERALDO MAZZA
Puxão de orelhas
O governador, que transformou a guerra do pedágio em cruzada, chama os prefeitos que defendem a adoção do sistema pelo ganho em ISS de sem-vergonhas. Isso no mesmo dia em que duas figuras consulares da administração federal, Zé Dirceu e o Carlos Lessa, acham pesadas demais para os municípios as tenazes da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Mais sem dinheiro do que vergonha, obviamente os burgo-mestres se mostram indispostos a rasgar seus parcos reais só para figurar na orquestração vertical do Palácio Iguaçu. O nosso governador parece ter aderido à divisa de Maquiavel, a de que ''mais vale ser temido do que amado'', embora o tom que adotou na campanha eleitoral merecesse um fundo de canto gregoriano, tal a carga de salmos e apelos fraternos que levavam à catarse.
O ''me chama que eu vou'' é claramente posto em xeque quando se convoca as prefeituras, todas em crise, para abrirem mão dos ganhos obtidos com o pedágio quando há tudo para a queda dos seus recursos no Fundo de Participação com a recessão que imobiliza o País. Interesses em conflito fazem parte do cotidiano da vida político-administrativa e o desejável é que sejam administrados com respeito de lado a lado.
Governar é também a arte da sedução. E Requião, até por contar com apoio da população no caso da queda das tarifas do pedágio, que não parece tão simples quanto sugere a retórica oficial, deve ganhar esses prefeitos, obviamente sem xingá-los como se estivéssemos diante do ''crê ou morre'' da Inquisição.
BIZARRICE - Belinati na frente das pesquisas em Londrina é prova de que no país o vitimalismo é a alavanca de tudo. Invés de receber penas provoca pena. Erro comum em português é dizer-se que penalizar é aplicar pena quando se trata de causar pena, comiseração, desgosto, pungir, afligir, desgostar.
AXIOMA - Quando se diz no futebol que o time tal foi penalizado com falta dentro da grande área, além da redundância, a pena passa a ser do goleiro, desde que não seja o Fábio Costa, do Santos, ou o Dida, do Milan, especialistas em afligir, desgostar, pungir os atacantes que batem as penalidades.
GLOSA - Mimetismo é um prefeito fugindo do puxão de orelhas num orelhão.
EPIGRAMA - Justiça não acatou o pedido de liminar na ação popular que cobra responsabilidades em prejuízos de mais de R$ 300 milhões da Copel, alegando o caráter complexo da demanda.
CLASSE - Débora Dias é a expressão da classe. Sua entrevista ao ''Hora H'' e o respeito que mostra ao ex-marido como expressão de amizade corre na linha anversa do que as separadas de políticos geralmente aprontam na base do mais violento dos ressentimentos. Não fez uma só concessão à fofoca.
APUCARANA - Desde ontem o procurador de Justiça aposentado Rui Cavalin Pinto é o mais novo integrante da Academia Paranaense de Letras. Rui atuou longo tempo no norte-paranaense, especialmente Apucarana.





