Tolerância ''social''


Agora não apenas as invasões de terras como a de edifícios particulares ou públicos contarão com a margem de tolerância do governo estadual sob o argumento de que esses eventos têm origem em movimentos sociais. Foi nessa linha o discurso do líder da invasão de um prédio hoje pertencente ao Banco Itaú-Banestado no centro de Curitiba. Trata-se de Anselmo Schwetner, que diz que a invasão tem o objetivo de ''denunciar a falta de política habitacional em Curitiba'', portanto o alvo político, obviamente, é a prefeitura.
Anselmo é coordenador do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, cuja bandeira está hasteada no prédio ocupado. Em declarações à CBN-Curitiba afirmou que acredita no governo estadual e na forma como trata movimentos sociais em casos de invasão, o que afastaria a hipótese, segundo ele, de uma reintegração de posse às pressas. Enfim essas demandas não mais dependeriam da Justiça e, sim, do cronograma dos invadores.
Era indispensável que se estabelecesse em lei e isso poderia vir por Medida Provisória o mesmo princípio adotado para propriedades rurais e que ficariam, por essa circunstância, fora de qualquer projeto de reforma agrária. Seria a aplicação analógica de uma regra que o governo Lula se declarou disposto a cumprir, mas que na prática não observa.
Se as filas da Cohab não forem respeitadas, aplica-se o princípio de que as formas violentas de ocupação, na marra, é que são eficientes. Ao juntarmos a demagogia no campo à das áreas urbanas, o caos estará estabelecido.
Há um outro detalhe: se esse tipo de ação visar depreciar a gestão municipal no campo habitacional além de constituir-se em mais um ato de ''isolamento'' do prefeito com a omissão da autoridade estadual (o precedente da invasão da Ferrovila no primeiro governo Requião com o imobilismo da PM é histórico) e, de certa forma, ligado ao processo eleitoral de 2004, teremos a hipótese de uma liberação para agressões semelhantes nos demais municípios. A não ser que o foco dessas selvagerias se limite a Curitiba, o que tornará esses eventos extremamente suspeitos como foi, na sequência da invasão da Ferrovila, aquele festival de mau gosto no calçadão da Boca Maldita com barracas de lona preta para prejudicar a promoção de Natal que o Bamerindus fazia no Edifício Avenida com o coral das crianças carentes e assistidas por entidades sociais.
BIZARRICE Alguns jornais de Curitiba deixaram, por alegadas motivações éticas, de anunciar garotas de programa. Houve até sermões em templos católicos e também evangélicos elogiando a medida. Só que agora os mesmos jornais dão anúncios de massagens tailandesas, o que é a mesma coisa. Como ensinava La Rochefoucauld ''a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude''.
FOLCLORE Se o pedágio ficar, o ''baixa ou acaba'' se transforma em adágio. Empreiteiro gosta de aditivo contratual, não de restritivo.

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