Um ato de expiação





Marcaram curiosamente uma acareação em Londrina entre o estafe da gestão passada, incluindo o ex-presidente da Sercomtel e ex-secretários municipais, e os parlamentares para apurar detalhes da venda das ações da empresa à Copel. Por que esses deputados não fazem uma acareação entre eles mesmos e as posições que afinal tomaram quando da criação e instalação da CPI Copel-Sercomtel que derrubaram no dia seguinte? Nada mais proveitoso do que essa análise transacional, dinâmica de grupo vertida em psicodrama, para testar caráter, referência cada vez mais rara no mundo político.
Curiosamente ontem a Câmara Municipal de Curitiba se transformou no pólo de todas as emoções decorrentes da tragédia do Jockey Club da semana passada. Todo o mundo quer tirar sua ''casquinha'' no episódio para revelar a inegável dimensão cidadã, mostrar-se generoso e sensível, esquecendo que muitas vezes vão quebrar o galho de eleitores por causa de alvarás, o uso do ''jeitinho'' também para espetáculos. Alguns vereadores são hoje empresários da noite, donos dos bistrôs, de barzinhos modernos, organizadores de ''raves'' e certamente contam com facilidades nas suas promoções como também devem ser solidários, até por espírito de corpo, nas demandas dos coleguinhas quando transformam as calçadas em extensão física de suas instalações, mas roubando claramente o espaço e o direito de ir e vir do pedestre a pretexto de conferir a Curitiba uma bossa parisiense com mesinhas em plena rua.
O jogo de empurra entre o governo e a prefeitura é outra evidência do traço político, e assim de honestidade questionável, na troca de acusações. Da tragédia, portanto, corremos o risco de cair na farsa, na burla. Como dizia Sartre do Inferno pode se concluir que os culpados sempre são os ''outros''.
COPÉLIA O balê da Copel segue: uma ação popular constitucional, impetrada por Guilhobel Aurélio Camargo, na Fazenda Pública, cobra responsabilidades do governo atual por operações lesivas (perda de ativos da estatal) num total de R$ 385 milhões. R$ 45 milhões em créditos anulados de ICMS, R$ 37 milhões pela recusa da defesa dos direitos na Dona Francisca Energética e R$ 302 milhões pelo abandono dos direitos referentes a parcela ''A'' da recomposição tarifária da Copel Distribuição junto à Aneel.
O Guilhobel, que se transforma em Inspetor Javert do governo, vai irritar tanto que no Natal pode ser mais lembrado do que o Jingle Bells.
RANKING Curitiba é a terceira capital em roubos de carros. Números de 2002. Neste começo de ano já bateu todos os recordes anteriores. E isso com a ''banda podre'' sob controle, como afirma o governo.
PASSIVO A juíza da 3 Vara da Fazenda Pública, nos autos do processo que impugna a designação do promotor Delazari para a Segurança, pede a inclusão no pólo passivo da ação dos nove integrantes do Conselho do Ministério Público que autorizaram o afastamento. O normal para o MP é o pólo ativo.

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