LUIZ GERALDO MAZZA
Corrida contra o tempo
Cálculos preliminares, que apareceram nos jornais com todos os ornamentos de contra-informação, indicam que a ruptura contratual do Anel de Integração seria de R$ 2 bilhões, 846 milhões e caquerada sem contar com a correção de dezembro que chegaria perto dos R$ 3 bi. Não bastasse isso há uma discussão em torno da necessidade de o governador encaminhar a matéria ao Legislativo. Há quem entenda que isso é dispensável e que visaria dividir responsabilidade e, de certa forma, mexer na CPI do Pedágio que nada havia encontrado de anormal.
Passaram-se cinco meses, o governo politizou o tema sob o fundamento de que se tratava de compromisso de campanha eleitoral, as conversações alegadas com as concessionárias se deram sob sigilo e quando menos se esperava houve enfim o anúncio da encampação. A última vez que essa palavra foi usada remonta ao governo de Brizola diante da multinacional de energia do Rio Grande do Sul.
Essa demora vai minando a credibilidade do governo nesse jogo de pôquer e o blefe pode vir dos dois lados, embora nunca ao mesmo tempo. As demais ações de ruptura já estão no Judiciário. Agora até a questão do bingo pode ser revertida com o entendimento do Tribunal Regional de Porto Alegre de que essa matéria (o que é de uma obviedade elementar) é da competência da Justiça Federal como também o caso do pedágio.
Se tudo o que é sólido se desmancha no ar, imagine-se essa sequência de acontecimentos, cuja volatilidade é aquecida apenas pela emoção, nada mais.
GUERREIROS A exposição chinesa foi prorrogada em São Paulo até o fim desta semana. É curtíssimo o cronograma da primeira-dama, Maristela Requião, para deixar tudo nos trinques e acertar a vinda do tesouro. Ontem esteve no BRDE tentando obter apoio financeiro em cima da Lei Rouanet. Não deixa de ser mais uma corrida contra o relógio.
BIZARRICE O Senado arquiva a CPI da lavagem de dinheiro do Banestado e pode até acatar uma de Alvaro Dias, puro diversionismo, sobre a privatização do banco. Um dos fatores causadores foi a liquidação do Badep, de sua autoria.
AXIOMA Não será de surpreender que a maioria dos beneficiados com a lavagem de grana na agência do Banestado de Nova York seja de fora. Até na corrupção somos classicamente passados para trás. Servimos de ''laranja''.
GLOSA Por que os depoentes da CPI do Banestado se recusam a dizer o nome do secretário da Fazenda que comandava o processo de saneamento? Pode ser que sejam coxas brancas e queiram preservar o Gionédis.
EPIGRAMA Malan foi para o Unibanco e as ações valorizaram. Ele saiu do governo e deixou o método para o sucessor.
FOLCLORE A Assembléia Legislativa alega que entra muita gente estranha na Casa e que invade gabinetes. Seus diretores burocratas são os mesmos há décadas e numa das gestões até incêndio houve no prédio, o que mostra pouca vigilância.





