Mais invasões
A forma como o governo estadual se posicionou relativamente aos sem-terra foi de sinalizações favoráveis ao MST seja punindo a PM por excessos no despejo de Lindoeste ou criando normas (presença do Ministério Público, imprensa e também gravações em vídeo) específicas nas reintegrações de posse. A visão externa é essa, não se sabendo se o governador junto às lideranças dos excluídos faz algum tipo de advertência contra os transbordamentos.
Se não pega bem ao poder público fazer apenas o jogo dos proprietários também fica estranho qualquer tipo de empatia pelos invasores sob o fundamento de que expressam um ''movimento social'' que está precisando de um freio urgente antes que tudo no País fuja de controle. Ontem mais um bem, agora público, a Embrapa, de Ponta Grossa, foi invadida. Trata-se de patrimônio dos mais relevantes da União, já que a esta empresa o País deve os avanços obtidos em produtividade em escala nunca antes registrada.
O lado mais selvagem destas manifestações se dá justamente quando se atiram contra centros de estudos, fazendas experimentais ou áreas de excelência como a da Araupel, ''Pinhal Ralo'', na qual se processaram as pesquisas em torno do pinhão de proveta do professor Flávio Zanetti ou na propriedade ''Mitacoré'' do antigo Bamerindus onde estudos sobre milho híbrido se desenvolviam.
Um governo como o de Lula, que se curva à realidade de um país dependente e por isso mesmo cauteloso ao extremo em decisões financeiras e econômicas, não pode facilitar a escalada das invasões até porque seus recursos para assentamentos são precaríssimos. Aqui no Paraná, antes de 1º de janeiro, havia relativa calma no campo, graças à ação articulada entre o Incra, a ouvidoria agrária e o governo estadual. De lá para cá tudo desandou e os eventos de Manoel Ribas, da propriedade da Monsanto e agora na Embrapa, numa fúria crescente, mostram que a hora é de estimular bombeiros e não de dar bandeira aos incendiários.
BIZARRICE - Prioridade das reformas (meia sola, outra vez) ditou o arquivamento da CPI que investigaria a farra dos R$ 30 bi do Banestado. Quando em oposição o PT fazia das questões morais urgância urgentíssima, agora nem tanto.
AXIOMA - O semanário ''Hora H'' colocou a hipótese de as mulheres saírem para a prefeitura de Curitiba, inclusive a economista Eleonora Fruet (PMDB) que aparece na capa. São Paulo já teve Luísa Erundina e agora a Marta Suplicy. E por que não um intermediário masculino-feminino, unissex.
GLOSA - Quem no poder revela, por inteiro, a sua natureza mais profunda?
EPIGRAMA - Resgate de presos na Furtos de Veículos pode ser um sinal de que a ''banda podre'' não dançou, mas rege uma parte do espetáculo.
FOLCLORE - Em Londrina os estudantes protestam contra o aumento da tarifa dos ônibus, querem passe livre (até em certos redutos espíritas está difícil) e ainda por cima o aumento dos motoristas e cobradores. E nesta torta não vai ainda um moranguinho com chantily?

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