LUIZ GERALDO MAZZA
Requião ''bateu o pé''?
A eleição da Fiep estava, em princípio, condenada a não ter bate-chapa. Mas isso, de qualquer jeito, pegava mal, já que o candidato Rocha Loures vinha com as bençãos do governo e, portanto, poderia ser olhado como ''chapa branca''.
Resumo da ópera: a impressão que dava era da extrema fragilidade dos grupos que integram o associativismo industrial e que teriam recuado a uma simples ''batida de pé'' do governador. É medo, próximo da pusilanimidade, ao menos no entender de alguns exaltados, poucos, mas barulhentos.
Governo se meter em eleição de instituições privadas é tradição brasileira, que coloca mal tanto um quanto outro lado, se é que há esse outro lado. Ney Braga, o nosso mais importante governante dos últimos 50 anos, certa vez, botou a colher torta numa eleição da Federação de Futebol e quebrou a cara, o que só se pode olhar como justiça poética.
Depois da saída do Carvalhinho (reconheça-se que, apesar dos excessos de culto à personalidade, é uma das poucas expressões nacionais que temos) e do acúmulo de energia e apoios em favor do Rodrigo Rocha Loures é que se esboçou, e de maneira extremamente tímida como convém aos que preferem regougar do que berrar, alguma resistência, assim mesmo fantasiosa. Se a identificação com o Carvalhinho prevalecer não teremos bate-chapa e isso porque ele jamais entrou em atrito com os poderes públicos, mesmo diante de matérias complexas como a do leilão da Copel quando levou muito tempo para fazer restrições e sem tomar uma postura clara de hostilidade, como se deu com a Associação Comercial.
BIZARRICE - O escândalo dos gastos com propaganda sob Lerner é de tal ordem que mereceria uma CPI para valer. O abuso foi maior no primeiro quadriênio.
AXIOMA - Londrina dá uma lição em Curitiba com as homenagens a um dos maiores arquitetos do Brasil, o paranaense Vilanova Artigas, criador do curso da especialidade na USP. Aqui os bárbaros, metidos a cosmopolitas e bajuladores de Lerner, não fizeram o mínimo esforço para preservar as suas obras como as das residências do médico João Luis Bettega e do jornalista João Feder.
GLOSA - Requião está mudando o nome de obras e instituições de Lerner. Ney Braga também fez uma dessas ao assumir, em 1961, inaugurando a estrada Curitiba-Ponta Grossa que Lupion deixara pronta, salvo falhas de acabamento. Importante é a continuidade, já que os governos, felizmente, são passageiros.
EPIGRAMA - Ney mudou até o obelisco de Lupion. Não deixa de ser um belisco.
FOLCLORE - Nepotismo cultural é essa história do Cássio Chamecki, presidente da Fundação Cultural de Curitiba, contratar a companhia de dança das bailarinas Andréia Lerner (filha do ex-governador) e Rosane Chamecki (prima de quem está contratando) para a curadoria da Casa Hoffmann Centro de Estudos do Movimento. O Requião, campeão de parenteralismo, não pode chiar. Dançamos.





