LUIZ GERALDO MAZZA
Ligações melindrosas
Choderlo de Laclos, autor do romance ''Ligações Perigosas'', uma criativa colagem de cartas, levou principalmente os políticos a usarem o título de sua obra, levada aliás com brilho ao cinema, para configurar como tal tudo aquilo que merecesse alguma restrição mais séria de ordem moral. Requião a usou quando se valendo de uma filmagem de romarias ao sindicato do transporte coletivo de Curitiba, o coração do cartel, que então exercia influência sobre a Câmara de Vereadores, e a divulgou, durante semanas, na TV Educativa sob o título ''Ligações Perigosas''. O diretor da TV acabou sendo processado pelos vereadores que se acharam injuriados, já que a denunciação era genérica em cima dos vereadores, jornalistas e políticos que apareciam nas imagens.
Quando o governo Requião distribuiu a lista dos veículos que levaram a parte maior dos recursos de propaganda criou-se um clima de que isso não deveria ser divulgado, uma vez que configuraria ''falta de ética'' para a corporação dos jornais, rádios, agências de propaganda, produtores, tevês, etc. Tais listas não são completas e às vezes somam faturamentos de empresas afinizadas como se dá com uma de Apucarana e outra de Ponta Grossa. O maior jornal do Paraná ''Gazeta do Povo'' está em sexto lugar, o que já se constitui num absurdo e no desprezo à mídia técnica.
Entre as revistas, uma que não tem periodicidade (as únicas são a ''Paraná em Páginas'' e a ''Top Magazine''), saiu à frente de todas, ainda que se trate de publicação claramente bissexta. A mesma quebra de respeito à audiência se dá no caso das rádios. Enfim não há qualquer critério, a não ser subjetividades. Num governo em que o chefe era um entediado e desligado e que vivia boa parte do tempo no exterior e que se transformou num refém de todo o tipo de ligação como a das terceirizações da Copel e em outras áreas era de esperar-se que isso acontecesse num dos ''fronts'' mais viciados.
São ligações melindrosas à espera do olho do Ministério Público para que se recicle em profundidade o nível de relacionamento comercial e, além disso, em acordo com as normas do Código de Contabilidade Pública.
CORTE Por falar em Ministério Público ele corta vantagens de seus funcionários aposentados como 20% de cargo em comissão e representação de gabinete. Dezenas deles impetraram mandado de segurança. O corte sangra.
BIZARRICE Proteção a deputado em verbas de comunicação era de tal ordem que um deles exigiu o corte dos 20% da agência de propaganda e ninguém chiou.
AXIOMA A suspeita de pedágio nas verbas de propaganda pode ser um recurso para deixar o governador mais indignado e disposto a chutar o pau da barraca.
FOLCLORE Curitiba, dizia-se, por causa da meteorologia, só tinha uma estação: a Rodoferroviária e agora não tem mais. Quem não está são é o governo.





