A pressão popular
  O governador Roberto Requião, por mais de uma vez, colocou a pressão popular como forma de resolver o caso do pedágio. Quais os limites para esse tipo de exercício se não aqueles estatuídos em lei e que a todos obriga? Se as ondas de manifestação nas praças de pedágio, pelo bloqueio do sistema e portanto da estrada, forem feitas e as concessionárias pedirem a intervenção da polícia a lei se sobreporia ao exercício da pressão?
  Se para resolver pendências complexas como essa o governo preferir esse apelo ao da provocação da Justiça, instância apropriada, teríamos apenas baderna e nada mais. Pesquisas como a feita pela Experience dizem o óbvio: a população preferiria pagar menos pelo pedágio, como diria o mesmo se perguntada sobre outros tributos, ICMS e IPTU, dentre eles. É tanta a freqüência de Requião nos meios de comunicação prometendo baixar o pedágio que 73% dos entrevistados acredita que isso, de fato, ocorrerá.
  O rompimento unilateral, como se fez em outros contratos (propaganda, parcerias da Copel, informática), seria de altíssimo risco, embora a Procuradoria Geral do Estado insista na tese de que inexiste cláusula econômica na convenção. Qualquer matéria que implique em apoio probatório, documental ou pericial, ainda mais depois da vigência desses contratos e do teste com aquele corte linear de Lerner de 50% nas tarifas, é um campo minado e que não teria uma decisão fácil na Justiça Federal.
  Pressão popular é acessório, não o principal. Esse é o diálogo e a busca da renegociação ou a provocação do Judiciário. Há delirantes que continuam com a fantasia de que a Copel foi salva pelo grito das ruas e não pelo mercado e pela queda das torres geminadas. E, cá entre nós, foi salva?
  BIZARRICE - Há um estudo indicando que proporcionalmente Curitiba é a maior consumidora de drogas do País. Há uma simetria entre esse dado e o nível de violência (assaltos, seqüestros, roubos, assassinatos), como se verificou neste ano com um aumento de 30% das ocorrências no quadrimestre.
  AXIOMA - Se desarmar bandido fosse fácil, o crime organizado ‘‘dançaria’’. Eles estão melhor equipados para a guerra do que o Exército e as polícias.
  GLOSA - O PT quer agora o que não queria sob FHC. E depois ainda há quem fique espantado com a tendência popular à indiferença com a política.
  EPIGRAMA - Esquerda no poder pregar o ‘‘crê ou morre’’ não é novidade. Aí chamam isso, hipocritamente, de ‘‘centralismo democrático’’, contradição em termos.
  FOLCLORE - O silêncio de Cassio Taniguchi é mais barulhento do que as ações de cerco à prefeitura do governo estadual. Só não se sabe se não fala porque não quer ou porque não pode.
  AFORÍSTICO - Se a gratificação por arma apreendida é de R$ 100 a do traficante denunciado ou preso seria no mínimo de dez vezes mais.

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