Uma promessa a cobrar

Uma das melhores colocações sobre a mídia no Paraná foi do Requião quando prometeu ao setor, para aperfeiçoá-lo, um choque de capitalismo. Quando era prefeito ou governador, primeiro mandato, respeitava os vícios da praça e o velho e arraigado hábito da subvenção. Foi um dos governantes que mais acessos teve na tevê duas vezes por semana nas duas principais redes e também no rádio e nos jornais, nos quais aparecia com artigos assinados.
Pois agora, quando os veículos estão em crise (e até a Globo é brutalmente atingida, inclusive a dupla local de empresários, Cunha Pereira e Lemanski, que se viu obrigada a comprar a parte da Venus Platinada em mais de R$ 100 milhões) e a impaciência é grande, anuncia que em breve qualificará as agências encarregadas de produzir anúncios. A Lei de Responsabilidade Fiscal já foi uma forma de garrote na demanda normal dos meios de comunicação e isso no segundo mandato de Lerner. No primeiro aqueles famosos R$ 500 milhões, tantas vezes denunciados pelo senador Requião, eram operados pelas agências de propaganda que como se fossem um braço estatal pagavam serviços prestados. Se houvesse uma devassa nessa área teríamos uma festa, maior do que todas as que o atual governo está aprontando.
A rigor o choque de capitalismo está aí e por uma via oblíqua, uma vez que aos governos sempre interessou a cooptação da mídia, seja de forma sutil ou escancarada, como se dá historicamente no Paraná. Essas relações têm que ser civilizadas sem imposição e sem submissão e a mídia técnica sobrepor-se às de ordem subjetiva, afetiva ou política. O ex-conselheiro do Tribunal de Contas e jornalista (professor de Ética) João Féder sempre condenou, nos relatórios, essa deformação primitiva de hábitos institucionais. Subvenção é subversão.
BIZARRICE Se a tarifa de ônibus baixa em R$ 0,50 por causa da queda do diesel, por que o prefeito Cassio Taniguchi não abre a planilha para a população?
AXIOMA Dizem que a planilha é a bolsa de Pandora que, se aberta, contamina.
GLOSA Essa estória de o governo se meter em eleições de entidade privada, como Requião acena com a Fiep, tem registros negativos: Ney Braga quis eleger um da sua turma para a Federação de Futebol e perdeu do Zé Milani. O que não quer dizer que o Carvalhinho já não esteja cansando. Como se dá com o Onaireves.
EPIGRAMA Os bingueiros pinçaram um dispositivo da CLT que pode levar o governo estadual a pagar a indenização dos milhares de demitidos.
FOLCLORE O MST queimando lavoura transgênica lembra em tudo o socialismo primitivo do ludismo, de Ervin Ludd, que destruia teares sob o fundamento de que reduziriam a utilização de mão de obra. Numa operação metalúrgica sob o comando do Meneghelli os operários entregavam carros com defeitos e lembro que a operação levou o nome de ''cambalacho''.

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