O líder do Paraná

  Quem é a liderança do Paraná? Normalmente, em quase todos os tempos, isso ficou a cargo do governador, obviamente. Em tempo de reformas, hoje tidas como prioridade estratégica, a avaliação muda de figura. Um presidente nacional de partido, como o deputado federal José Carlos Martinez, do PTB, é mais interlocutor em tal processo do que o próprio ocupante do Palácio Iguaçu pela circunstância elementar de poder, de certa forma, operar como um delegado que detém alguma hierarquia sobre uma bancada nada desprezível.
  Como Requião sempre foi um alinhado, discordando até da direção do seu PMDB para apoiá-lo, nem precisa ser seduzido e, portanto, é um integrado. Já um Alvaro Dias, senador, por ser da base aliada e menos resistente a reformas como a turma que segue o populismo rançoso de Brizola no PDT, passa a ter um cacife quase equivalente ao do governador.
  E o governador, que não tem problemas internos, já que exerce um domínio de traço hegemônico, dada a maioria parlamentar e a adesão maciça dos prefeitos, só tem uma pedra no sapato: o prefeito Cassio Taniguchi, da Capital, que virou de forma coincidente a ‘‘bola da vez’’ nas pedradas de alguns meios de comunicação. Dá para percebê-lo em coisas elementares como as pesquisas da TV Globo regional, em seu jornalismo comunitário, e que sistematicamente elogia o transporte coletivo (que o governo estadual, via Comec, tenta sabotar e mais uma vez detonar a integração) e a coleta do lixo e critica a falta de segurança, afinal obrigação estadual sabidamente mal cumprida, embora Requião passe, cumulativamente, por secretário da área.
  Com todos esses ingredientes é complicado sustentar a pretensão presidencial ainda mais quando os créditos administrativos são menos relevantes do que os de caráter político em cima de denúncias e rupturas contratuais.
BIZARRICE O governador fecha o curso de Medicina de Ponta Grossa, mas promete criar a Universidade do Litoral. Mexeu num enxame de abelha africana. Dizem que um governador paranaense deixou de federalizar a Universidade de Londrina por não poder fazê-lo com a de Maringá. Poderia ter emplacado a primeira e lá na frente acertar a segunda. Melhor do que não federalizar nenhuma.
AXIOMA O Ministério Público andava energizado com as suas prerrogativas, algumas não muito claras. Anteontem uma turma do STF decidiu, unanimemente, que a instituição não pode realizar diretamente investigações que cabem, primacialmente, à polícia. O inquérito do Caixa 2 de Taniguchi esteve em primeiro lugar com o MP para depois ser levado à Polícia Federal.
GLOSA Descuidos judiciais já tumultuaram o caso ‘‘Ferreirinha’’ que favoreceu Requião em passado recente: a rapidez do processo, de ritmo fulminante, não levou em conta que tinha que ouvir, como litisconsorte, o vice Mário Pereira.
Isso facilitou, em muito, a decisão pró Requião por perda de objeto.

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