As nossas prioridades (2)

É evidente que ter magistrados nossos na instância superior é importante pelo fato de projetar nossos quadros e instituições. Montar, porém, listas de até 20 prováveis para a designação soa estranhíssimo. Normalmente faz-se concessão à sociedade do espetáculo botando os merecedores dessa inclusão nas colunas sociais, um alarido que destoa com a discrição que deveria ser observada.

Não acredito, de forma alguma, que homenagens como as que foram prestadas aos paranaenses que figuram nos escalões nacionais levante nossa auto-estima ou crie um clima interno para avançar mais. Tivemos vários ministros de Munhoz da Rocha para cá e que ganhou intensidade com Ney Braga. Claro que algo rendeu ao Paraná, mas não deixamos ninguém nessas pastas e ao contrário a maioria dos que as desfrutaram comeu pela mão dos quadros permanentes. Em suma não temos uma estratégia porque também não sabemos o que queremos. Mais importante do que figuração em ministérios é ganhar causas.

Vamos a algumas delas: a União deve indenizar o Paraná pelos trechos mais rentáveis de suas ferrovias a Central entre Apucarana e Ponta Grossa e a ligação entre Guarapuava e Cascavel (por sinal que é lastimável a condição da ligação até o terceiro planalto); transferir ao Ministério da Educação o pagamento do pessoal do Hospital de Clínicas, um dos poucos hospitais-escola que o faz com seus recursos e os da Fundação; urge federalizar, como se deu com o Rio Grande do Sul e Minas por exemplo, as universidades estaduais. E essa é uma pequena amostra.

Como é que se afirma a identidade paranaense? Quando um administrativista como Romeu Bacellar é levado à presidência da associação nacional específica temos algo de sólido; quando obras dos nossos juristas como Clemerson Cleve, expressão viva do constitucionalismo brasileiro, ganham repercussão além das fronteiras temos um bom caminho andado. Tanto no campo do Direito como no da Medicina, engenharias (o Lerner é nome mundial entre arquitetos) e assim por diante. Uma das maiores autoridades em hidráulica do mundo é daqui: Nelson de Souza Pinto que dá consultoria à mega-hidrelétrica da China. Esse o rumo.

BIZARRICE - A história do gás de Araucária como sempre não cheira bem.

AXIOMA - Vejam o que dá o vício: excursões quase diárias são feitas em ônibus lotados de Curitiba a Joinville só para jogar no bingo. Taxistas alegam que perdem mais de 1.500 corridas por dia na Capital pelo mesmo motivo.

GLOSA - Não há remédio sem efeito secundário: 4.400 empregos diretos e mais uns 5.000 indiretos são perdidos com o fechamento do bingo.

EPIGRAMA - Se fecharem a lavanderia de dinheiro haverá mais desemprego.

FOLCLORE - Deputados aprovaram contas com balanço maquiado do Banestado. Aliás muitos deles achavam tão boa a situação que abusavam nos empréstimos.

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