LUIZ GERALDO MAZZA
Vivemos sob tensão diária, no campo administrativo e político, em função do estilo peculiar do governador Requião. Dá pelo menos a impressão de assustador dinamismo quando, na realidade, os feitos se dão apenas no campo da política, em que pese o acerto de muitas dessas denúncias e revisões contratuais e que mal escondem um imobilismo em termos objetivos de ações governamentais como se observa em todos os setores, com ênfase, porém, na Segurança.
Os deputados não ficam atrás e tentam ampliar a fogueira das vaidades com as cinco CPIs que esganam e paralisam o Poder. Destituídos do senso mínimo de ética fazem, como anteontem, uma deplorável sessão de lavagem de roupa suja aberta ao público externo quando poderia se dar, de forma saudável, ''interna corporis'' para evitar o vexame.
A Casa perdeu o senso de respeitabilidade e não parece ter reagido sequer à decisão do governo de isolar a Diretran, sugerida por Marcelo Almeida, e que se funda em dois fatos: a inaceitável anistia das multas dos veículos do Legislativo e os critérios parciais da URBS. Além, pois, da exposição moral a que ficou submetida a Assembléia temos mais esse fator adicional como causa da ruptura entre o Detran-PM contra a Diretran. Não se pode esquecer o dado bem claro de que esse fato se junta a tantos outros na guerrilha que se pretende permanente entre o Palácio 29 de Março e o Iguaçu com vistas à eleição do ano que vem. Primeiro tivemos o circo das cercas, depois as rupturas contratuais na informática e na sequência o tumulto das tarifas em ônibus metropolitanos. Uma batalha a mais na guerrilha para isolar Cassio que pensa que o silêncio é a melhor arma contra o cerco e a mobilização. Está encapsulado como caramujo,
enquanto um trator liga a marcha para esmagá-lo.
BIZARRICE - Lula, coloquial como nunca, ao se encontrar com os deputados quis minimizar a crise com a bancada, dizendo que o PT é como família italiana em que todos brigam e depois se acertam. Ao contrário da ''famiglia'' que beija e quando o faz é para notificar o futuro ''presunto''.
AXIOMA FHC - dizia ''esqueçam o que eu disse e o que escrevi''. Era um fantasma antecipando o Lula que disse, mas obviamente não escreveu.
GLOSA - Lula não lembra só FHC. Lembra, também, o Collor: essa bronca diante das aposentadorias milionárias lembra em tudo a inútil cassa a ''marajás''.
FOLCLORE - O semanário ''Hora H'' atribuiu a Requião a mesma técnica de Bush com as cartas de baralho para identificar os homens fortes de Sadam e aparecem na primeira página do último número a turma de Lerner com o Ingo Hubert como ''rei de ouros'', Alex Beltrão como ''dama de ouros'' e Cid Campello como ''valete de ouros''. Como dizem os jovens em sua sintaxe: essa é do baralho. Segundo o jornal de Cícero Catani faltam duas cartas para Requião fechar o jogo: o ás de ouros e o 10 de ouros, ainda não identificados.





