Pressionar é legítimo

O governador Requião, em que pese a ausência de qualquer proposta no mínimo coordenada de governo, pode obter avanços apreciáveis em sua estratégia de pressão em torno das clientelas públicas. Anteontem foi a vez da Renault, cujo presidente o governador constrangeu, na hora em que comemoravam a mediação que colocou fim à greve na montadora, com a notícia de que pretendia rever os pactos feitos com o governo anterior.
FROUXIDÃO Na verdade Lerner levou a frouxidão ao extremo na sua compulsão cosmopolita de atrair grupos internacionais, enquanto os nacionais e regionais iam direto para o beleléu com as bençãos oficiais. Na Sanepar, apesar do cacarejar chapa branca, tudo ficou na mesma, ainda que removida a arrogância dos franceses. Não foi a recuada do Villegaignon, mas na mídia pareceu. Na polícia a hipótese de remover a banda podre é distante: a área é barra pesada e já acusam, com abundância de material probatório, o delegado Adauto, paradigma da moral. Se ele é permeável à denúncia, imagine-se os demais. Na Copel até que são mais do que justificáveis os esforços para ir além do caso Olvepar e alcançar aquelas parcerias ajustadas ao modelo nacional. Também no pedágio, nada avançou a não ser a demagogia turbulenta de militantes em galhos da hierarquia funcional com agitos na estrada e distribuição de panfletos, tendendo a transformar o 1º de Maio, data revolucionária dos trabalhadores, na quermesse de ira contra os consórcios que pelo menos mantém algumas rodovias em condições de uso.
CUTUCADAS A técnica é válida quando a mídia se liga nessas ações e que às vezes, de certa forma, condiciona inclusive julgamentos. Entregar cerca de 700 contas ao Banco do Brasil, (de autarquias como a Ferroeste a o Porto) desprezando o Itaú, é como comer pelas bordas, já que o banco não irá à Justiça para gerar um fato político que só interessa ao governo. Mas não deixa de ser válido, diante das concessões escandalosas de Lerner, inclusive mantendo as contas públicas por mais cinco anos em favor do banco, o que poderia ser alvo de negociações mais inteligentes.
A prensa na Renault é válida, porém de resultados práticos remotos. É que Requião tem um ecossistema no qual se dá bem: conflito e adversidade. Fora disso não dá para a saída.
BIZARRICE Inimaginável bancos burocráticos como o do Brasil e a Caixa Federal atenderem a massa do funcionalismo estadual. Seria uma revolta por mês. Isso poderia ser usado como ameaça aos funcionários quando pedissem aumento.
GLOSA Com o fechamento dos bingos houve perda de mais de 4.400 empregos, mais da metade do que criam as montadoras (Volvo, Renault, Audi-Volks, New-Holand) com os seus sete mil trabalhadores diretos. É um choque anafilático.
FOLCLORE Lula prometeu um governo de fartura e até agora só tivemos fraturas do seu corpo ministerial nas peladas de pernas de pau e barrigudos.

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