Ainda os 150 anos

Dentro de alguns dias, Londrina se transforma num pólo supranacional de arte com a 36 edição do Festival Internacional de Teatro. É um feito, sem dúvida, da comunidade, mas também do Paraná. Dias passados já me referi ao fato de que não tendo uma programação preestabelecida para o sesquicentenário todos esses eventos, desde a Feira Agropecuária, deveriam lembrar, de alguma forma, a data da emancipação política.
Não temos uma programação específica para a celebração, a não ser as feitas em palestras do Instituto Histórico e Geográfico ou em eventuais referências em sala de aula no mundo acadêmico. É como se isso não tivesse qualquer importância. Mais uma prova da nossa falta de identidade e que explica, em grande parte, a frouxidão e a baixa credibilidade das nossas lideranças.
É visível também o fato de que a classe política prefere o ritual canibalesco da autofagia, seu esporte compulsivo, do que deter-se em comemorações que teriam o péssimo efeito de provocar união e solidariedade até por imposição das formalidades.

BOLA DA VEZ - Cassio Taniguchi, prefeito de Curitiba, é a bola da vez. Desde a denúncia do caixa 2 da campanha que o reelegeu há um clima que visa de tudo para desestabilizá-lo. Jornais que circulam e os que não, esses em número cada vez mais apreciável, dão o tom.
No meio de tudo algumas denúncias bem sacadas como essa de que haveria anistia de multas eletrônicas para os ônibus, o que é contestado por Euclides Rovani, diretor da área da Urbs, que alega que os veículos são equipados com tacógrafo e são multados justamente por velocidade excessiva, não havendo sentido em puni-los mais de uma vez pela mesma infração. Ocorre que há escassos pontos de fiscalização eletrônica, enquanto que o acompanhamento permanente do tacógrafo abrange uma área muito maior do itinerário.
Há em direito a regra do ''non bis in idem'', isso é ninguém pode ser punido mais de uma vez pela mesma infração. É uma justificativa afinal polêmica em qualquer assunto que envolva multas e Cassio Taniguchi, ainda mais com o clima pré-eleitoral e a ânsia do PMDB-PT de destronar o time de Lerner de qualquer jeito, já que se sentiram tão próximos da vitória na última eleição que chegaram a comemorá-la antes do tempo. Foguetes perdidos fazem aflorar ainda o maior ressentimento. Uma bronca que nem o caixa 2 dissipa ou mitiga.

FOLCLORE - Ontem o lançamento do livro do Sebastião Nery sobre folclore político. Hoje a retomada de circulação do semanário ''Hora H'' que traz um encarte sobre o golpe (ou revolução) de 64, inclusive o fato de o general Ítalo Conti ter dado a partida da intervenção no Paraná. Das histórias de 64 é inevitável lembrar daquela que se fez sobre o publicitário José Cury, da revista ''Panorama'' e que estava no Palácio Iguaçu vendo o azáfama em torno da rebelião e com vários papéis embaixo do braço. Ney Braga, pensando que se tratava de algum manifesto feito pelo Samuel Guimarães da Costa, perguntou de que se tratava e o Zé Cury, gaguejando como sempre, tascou: ''Quan...do é que vão pa... pagar minhas fa-fa-faturas, governador?''

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