LUIZ GERALDO MAZZA
A amnésia crônica
Por que não temos identidade e que é fator cultural de primeira ordem para que nos respeitem como unidade federativa? Porque, entre outras coisas, apesar de havermos integrado o Paraná fisicamente dos anos 50 para cá não o fizemos no plano cultural. Basta ver o rumo que o governo anterior deu à comemoração do sesquicentenário de nossa emancipação política: nenhum, designou apenas uma comissão para tratar do assunto, enquanto queimava o dinheiro público no oba oba do Museu Oscar Niemeyer, como já o fizera com os Jogos da Safadeza, a roubalheira do Banestado e a prodigalidade na mídia (R$ 500 milhões, só na primeira gestão).
O governo atual nem se mexeu pelo assunto, embora víssemos outro dia essa grande figura, que é Nitis Jacon, diretora do Teatro Guaíra, referir-se ao centenário desse empreendimento. Na verdade o Guaíra, não o teatro de agora, tem bem mais do que 100 anos, sendo que uma das suas derradeiras sedes ficava justamente onde está a Biblioteca Pública, também centenária, espaço que por algum tempo serviu de quartel de bombeiros de Curitiba.
Há muito a comemorar e refletir. Por exemplo houve a Feira de Londrina e ninguém pensou em lembrar que ela se dava no sesquicentenário. É claro que o tempo é curto como também a verba, mas não entra na cabeça de ninguém o clima de omissão em torno do evento. Munhoz da Rocha, nos anos 50, transformou o Paraná num pólo de acontecimentos culturais, os quais irrigou com os seus discursos interpretativos do nosso processo civilizatório e obras também que assinalavam o anseio da integração.
Cultuamos mal a nossa história e a nossa geografia nos currículos do ensino fundamental ao superior. Olhamo-nos no espelho e o que vemos é uma imagem embaçada, graças aos políticos que temos.
BIZARRICE - No Rio mais alegoria para enfrentar o crime organizado: Garotinho, marido da governadora que acumula a condição de primeira dama, cuida da pasta.
AXIOMA - Pode ser que ganhemos a guerra contra a violência, mas até agora, pelo menos, perdemos certamente todas as principais batalhas.
GLOSA - O célebre Eduardo Jorge, secretário de FHC, que foi linchado na mídia e pelo Ministério Público, vai processar todos os que o caluniaram. Na hora em que vencer a parada não vai ter o mesmo destaque. O caso havido aqui com Cândido Martins de Oliveira é exemplo marcante. Controlemos os hormônios.
EPIGRAMA - R$ 3,90 de tarifa no ferryboat de Guaratuba tanta grana por um trajeto tão curto tira um pouco das razões do combate ao pedágio.
FOLCLORE - Se houvesse cobrança de pedestre no pedágio, o vereador de Ponta Grossa não se mandaria a pé a Curitiba para pedir leitos hospitalares.
CROMO - Vejo o teu vulto na xícara de café, imagino-o na silhueta de cortinas, sinto-o bem próxima no suave e lento respirar.





