Copel, um exemplo


Quando exerci a chefia de redação do jornal ''Última Hora'', sucursal do Paraná e que surrava todos os concorrentes, recebi instrução rigorosa do comando: poupar a figura pessoal do governador (Ney Braga) e especialmente as três empresas públicas que soltavam dinheiro a rodo para a mídia que eram o Banestado, a Copel e o Badep. Esse era o mistério do sucesso do jornal de linha populista à esquerda, supostamente trabalhista e nacionalista, pois dava a impressão de uma liberdade não desfrutada pelos concorrentes: protegidos os já referidos, sobrava pau puro para os demais setores como o da Educação, Saúde, Segurança. O jornal alimentava a rebelião dos professores, afinal os mais habilitados à greve ou a operações-tartaruga; atacava as endemias como deficiência da Saúde e as violências e fraudes da polícia.
Esse mimetismo (camuflagem) dava a impressão de jornal de oposição e que na verdade tentava até uma ''ponte'' entre Jango e Ney e que chegou a operar muito bem no plebiscito que derrubou o parlamentarismo. Tudo resultava de uma cultura, até hoje não expungida (e quanto maior a crise, como a que no momento se desenrola, mais se acentua a dependência), que subordinava os meios de comunicação, embora alguns com talento, como esta ''Folha'', e isso ao longo do tempo, preservassem espaços de independência.
Todas as três organizações superprotegidas lidavam com muita grana e dois deles operavam como produtores de moeda. Dá para imaginar o volume de negócios gigantescos que ocorriam na Copel e que se fosse submetida aos controles de hoje, ainda precaríssimos, revelariam suas arraigadas patologias. A empresa chegou a tocar usinas, com a inegável competência de sempre, que passaram ao controle da Eletrosul, isso sem falar no colar das que assumiu ao longo do Rio Iguaçu.
A proteção dada a dezenas de empresas nas 29 parcerias do governo Lerner reproduzem, em dimensão mais ousada, um histórico que nega a propalada sisudez da Copel que não fugia de uma deformação fundamental: a de envolver-se no ''front'' político servindo de assessoria de planejamento em processos sucessórios, o que não ocorreu apenas nos anos de chumbo. Lembro da calhordice de um anúncio institucional que mostrava a interrupção do suprimento de energia para justificar o ''teaser'' da campanha de Saul Raiz, na primeira eleição direta de governadores, que era ou ele ou ''um salto no escuro''.
BIZARRICE O Coritiba contratou o beque Odvam quando o divã de que precisa é o de um psicanalista especializado em causas impossíveis como Santo Expedito.
AXIOMA Cada cidadão vai guardar 108 placas dos carros da Assembléia para ver o que aprontam. Mania de terceirizar dá nisso. Como o Poder Legislativo se acha incapaz de controlar-se passa a atribuição ao público em geral.
GLOSA Se um dos carros do Legislativo parar num motel é caso de denúncia. Se transportar crianças aos colégios também? Então por que não caracterizam, de uma vez, os veículos? Seria bem mais em conta a fiscalização. Mais justo se a medida abrangesse todos os poderes.
EPIGRAMA Não dá para aguentar mais faz de conta, factóide e jogo de cena.
FOLCLORE Vejam a ironia. Os bingueiros, em sua disputa com o governo, provam a existência de uma lei de 1995 que liberou o jogo promulgada por Orlando Pessuti, hoje vice-governador.

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