LUIZ GERALDO MAZZA
Rumo à anomia
Volta e meia uso a expressão anomia, usada também pelo liberal Ralf Darendorf num dos seus últimos ensaios, para caracterizar a falta de referências de traço institucional, tal como se dá agora, de forma radical, no Iraque. Em cima dos saques na Alemanha, quando se vislumbrava a derrota, é que o escritor se ocupou do tema. No Brasil temos formas de anomia mitigadas, como se vê o quadro de violência em grandes centros como São Paulo, Rio, Belo Horizonte com a consumada impotência da autoridade.
O possível atentado contra o juiz Kopitowski, ontem, acentua a que ponto chegou a ousadia do crime organizado, já com outros feitos como o incêndio da PIC e as ameaças a magistrados. Vivemos um cenário próximo da paranóia e nosso governador insiste em acumular a pasta da Segurança. Se houver um caso em que se torne indispensável a presença do secretário para negociações queimar-se-á uma etapa de mediação deixando o governador a descoberto.
Com Mandelli foragido e o Caboclinho preso, a trôco de que ainda temos cerca de 60 roubos diários de carros? É prova de que o crime está mais organizado que a prevenção e a repressão. Como se não bastasse ainda temos as seqüelas das denúncias do deputado-policial Bradock feitas anteontem e que atingem o delegado chefe da Polícia Civil, tido e havido pela maioria da sociedade como um exemplo de honestidade e que até por isso irrita realistas da categoria, cultores notórios da tolerância que abre caminho para tudo.
BIZARRICE Ironia: o Movimento Pró Paraná convidou o governador-secretário de Segurança para encontro hoje, 14 horas, no plenarinho do Legislativo. Como diz o ex-juiz, ex-oficial PM e anarquista Elísio Marques: A Segurança Pública é uma mula sem cabeça botando fogo pelas ventas. A pasta requer, em seu comando, um profissional habilitado, não um atirador ao alvo em horas vagas.
AXIOMA O auê dos empregados dos bingos foi bem superior às manifestações tanto do MST como de incidentes anteriores. Prova de que não há insubstituíveis, como muitos se acreditam na condição de vetores da história.
GLOSA Empresários do bingo pretendem interpelar judicialmente o promotor que os acusou de atuar na lavagem de dinheiro.
EPIGRAMA Lá se foi a grama do Centro Cívico pela ação do MST e bingueiros.
FOLCLORE No meio da passeata dos empregados de bingos, de repente pinta ao lado, em paralelismo aberto, um automóvel velho e um agitador, megafone em punho, com o grito da guerra: E não esqueçam das irregularidades que estão acontecendo em Pontal do Paraná. Parasitismo em agitação é dose.
CROMO E você, mulher-árvore, em cujo tronco florescem lianas, quando me dará a seiva que ardentemente procuro?





