LUIZ GERALDO MAZZA
Sem-terra e sem-bingo
Pelo jeito o Centro Cívico, estuário da cidadania, apresenta hoje algo pouco usual, mas muito no estilo brasileiro, quando para lá convergirem de um lado os sem-terra e, de outro, os sem-bingo. É que está assinalada a passeata dos empregados de bingos que, em Londrina, ao se manifestarem diante do governador dele receberam algo parecido com uma benção cardinalícia ou papal.
Para os sem-terra a empatia, como sempre, mesmo depois das ocorrências, por culpa do MST que rompeu um acordo com mediadores oficiais e invadiu outras áreas em Campo Bonito, em incidentes que redundaram na morte de três PMs e do Teixeirinha, o líder dos lavradores. Esse fato foi denunciado pela Pastoral da Terra no setor de Direitos Humanos da OEA, no qual o Brasil acabou condenado.
A reforma agrária, utopia retrô, conforme testemunho de um dos mais lúcidos homens de esquerda do Brasil, Inácio Rangel, apareceu em 11º lugar em pesquisa nacional muito abaixo da falta de emprego e de segurança que a lideraram. O bingo é também modernice que soa ridícula num país que fechou cassinos. Aí se suspeita de mais um jogo de cena, parecido com o da Sanepar que ficou quase na mesma e com uma versão repetitiva na mídia de que mudara: o Serlopar, em nome do interesse público, substituiria a Larami e a batota prosseguiria com as bençãos lustrais da moralidade. Bingo!
TANGO - Por sua espirituosidade republico o texto de Eduardo Schneider de A Folha da Imprensa de ontem sob esse título: No filme O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, o personagem de Marlon Brando providencia um tablete de manteiga para sinalizar a sua amante, interpretada por Maria Schneider (nenhum parentesco), que quer um pouco de sexo pouco usual. Lula da Silva, antes de anunciar ao funcionalismo que concederia um aumento salarial de 1% (na oposição o PT preconizava 74%), mobilizou o ministro do Planejamento, Guido Mantega. Tem quem acredite que o efeito, na economia doméstica do funcionalismo, foi o mesmo que o obtido por Brando no filme.
BIZARRICE - Anuncia-se, sem dizer quem, que Requião demitiria o seu primeiro secretário por improdutividade. Terrorismo pedagógico porque se várias pastas fossem abolidas o problema se reduziria à perda de alguns empregos, bem menos do que no caso dos bingos. O mesmo se daria no governo federal.
AXIOMA - Um não demissível é o secretário de Segurança por certo.
VINHETA - Que tal descobrir quais as raras secretarias produtivas? Mistério.
GLOSA - Max Rosenmann quer fim dos cartórios de protestos. Acha-os de pretextos.
EPIGRAMA - Paraná, segundo em estradas esburacadas. Agiu certo o governador em nomear um dentista, Pugliesi, para obturar tantas vias cariadas. Quem sabe até extraia sem anestesia o infeccioso pedágio.
SCAPS - Lobo mau contratou lobista para melhorar imagem e levar Chapeuzinho.





