LUIZ GERALDO MAZZA
Requião inova
Não pela rescisão dos contratos que, apesar de temerária, é útil; também não pela ameaça postergada de eliminar a ''banda podre'' da polícia e a outra, igualmente procrastinada, de baixar o pedágio a fórceps ou ainda aquela, já transferida, de dar leite, água e luz de graça aos excluídos. Nem igualmente pelo fim do bingo, promessa velha agora consumada. O fato é que Requião inova em duas coisas: usar mecanismos fiscais para ajudar o produtor interno e capaz de gerar renda e emprego, o que seu antecessor fazia em favor da chamada grande escala e das transnacionais, e em utilizar a rádio e TV Educativa para a sua manifestação dos cem dias de gestão.
Não tivemos aquela rede de emissoras em cadeia estadual como no passado e inclusive na sua gestão anterior para marcar o evento, o que sai praticamente de graça e é mais honesto: chapa branca do começo ao fim, dos produtores, dos câmeras, dos entrevistadores ao personagem principal. Tudo oficial, nada de privado, tudo de público. Há quem tenha visto aí o cumprimento de promessa candente, já feita anteriormente, de Requião - a de estabelecer um ''choque de capitalismo'' na mídia cabocla, tão mal habituada ao oficialismo.
Um analista e doutrinador da ''ciência'' da Comunicação poderia dizer que o governador, no melhor estilo do Nazareno, que se manifestava por parábolas, valeu-se da ''metalinguagem'' para clarear que um pronunciamento oficial tem que ser público e jamais terceirizado e privatizado. Jornalistas oficiais levantavam a bola, com as habilidades do Maurício da seleção de vôlei, para ele cortar no melhor estilo do Giba e do Giovani. Mais eficiente, mais barato e bem mais honesto do que uma exposição de veículos particulares prestando a vassalagem ritualística do nosso meio, paga pelo contribuinte.
BIZARRICE Cem dias sem leite, sem água e sem luz gratuitos. Cem dias de gestão não melhoraram a digestão dos pobres, mas a esperança permanece.
AXIOMA Delegados de polícia reúnem documentos contra o xerife do tempo em que estava na Corregedoria. Trabalhar no Estado é sempre uma temeridade: inveja e ódio andam de mãos dadas.
GLOSA A mão que afaga é a mesma que apedreja, ensina Augusto dos Anjos.
EPIGRAMA Funcionalismo federal estava 100% com Lula. Agora só está 1%.
FOLCLORE Mas o presidente da República está, como sempre, zen por cento.
CROMO Agora com o frio finalmente as mulheres enrubescem.
AFORÍSTICO Governo vai ter que demitir gente nas universidades estaduais por imposição de leis que regem o orçamento. Vão fazer massa comum no Centro Cívico com os trabalhadores dos bingos que perderão seus empregos.





