LUIZ GERALDO MAZZA
A queda programada
O balanço da Copel, com prejuízo líquido de R$ 320 milhões no exercício de 2002, se presta a várias leituras, inclusive a dos lerneristas que usam o argumento para justificar que estavam certíssimos ao seguir o modelo nacional que recomendava a privatização. Como alguns atos na esteira da privatização já haviam sido praticados com as inúmeras parcerias argumenta-se que se a Copel obtivesse R$ 5 bilhões pelo arremate no leilão o Fundo de Previdência do funcionalismo estadual se transformaria num dos maiores fundos de pensão do país, o que de certa forma ocorre, com essa capitalização e ainda sobrariam recursos para outros investimentos.
Quem impediu a privatização foi o mercado e não a agitação de rua e, mais ainda, a derrubada das torres gêmeas e o apagão no Brasil. Claro que cada grupo fará leitura diferente do processo. O que espanta é justamente o fato de em 2.001 a Copel ter tido um lucro de R$ 475,3 milhões e a aceleração das medidas para seguir o modelo energético contribuiu muito para o prejuízo do exercício seguinte ao lado da desvalorização do real.
Insisto numa tese: a caixa preta, que é a Copel, não é de agora, mas sempre foi assim, tão fechada quanto a Petrobras, Estado dentro do Estado, e a frouxidão política e burocrática responde por tudo. Pagamos tributo elevado a essas formas larvares de fascismo que se praticam no Brasil, ora sob o fundamento da eficiência, ora até o da segurança nacional.
BIZARRICE A fome zero é a da burocracia e a tributária, incluindo pedágio.
AXIOMA Quer ver a CPI da Copel virar mel? Investigue-se por que os deputados montaram num dia e derrubaram 48 horas depois a CPI da Sercomtel. Mela de vez.
GLOSA Funcionários federais queriam 50% de aumento e vão ter menos de 2%. Agora prometem greve: o PT bebe do próprio veneno e ganha imunidade. O rei Mitrídates tomava doses pequenas de veneno como vacina contra inimigos.
EPIGRAMA Reação dos iraquianos derrubando estátuas de Saddam é um lembrete aos nossos políticos (não são poucos) que praticam o culto à personalidade.
FOLCLORE Na queda de governos, por eleição ou revolução, percebe-se algo bem parecido com o que se dá no Iraque com multidões mostrando uma indignação que antes não revelavam até porque não podiam. Quando Manoel Ribas caiu, houve gente que soltou foguetes. Ressentidos, alvos das ironias do Maneco Facão.
CROMO Certa arte de vanguarda tem menos durabilidade que Coca Cola ou Big Mac.
AFORÍSTICO CPI do Banestado informa: lavagem de dinheiro começou em 1992.
VINHETA Temos versões de Saddam, Mussolini, Stalin aos montes.





