LUIZ GERALDO MAZZA
Não dormir no ponto
O ex-secretário de Planejamento e da Fazenda do governo Lerner Miguel Salomão tem uma previsão nada favorável para o que entende que ocorrerá na tal da ''meia sola'' de reforma tributária. Acha que a tese da cobrança do ICMS e o seu sucedâneo, Imposto sobre Valor Agregado, no destino do produto não interessa a São Paulo e aos estados mais industrializados. Em consequência acha que perderemos de novo para a avalanche concentracionista, ao ''centro'' tudo, à ''periferia'' migalhas, e nos subteremos ainda a regras que impedirão a flexibilidade da guerra fiscal, uma das escassas alternativas.
No processo constituinte de 1988 o Paraná dormiu no ponto e a paulistada, José Serra à frente, deitou e rolou, impondo o regramento de que exportadores de energia elétrica, levariam a pior. Na campanha eleitoral Serra andou por aqui fazendo um ''mea culpa'' tentando ganhar a nossa simpatia. Lamenta-se que Richa e Scalco e tantos outros, que figuravam entre cardeais do tucanato, nada tivessem feito para evitar o enorme prejuízo, deslumbrados que estavam.
Com a iniciativa de criar uma comissão de deputados estaduais para acompanhar todo o andamento da reforma tributária espera-se que essas pessoas se liguem no alertamento de Miguel Salomão. Aliás, essa é uma das poucas áreas do atual governo em que há uma pessoa competente no comando, Heron Arzua, tributarista de expressão nacional, que está na Fazenda e que tem dado o ''pode'' para as iniciativas do governo Requião de gerar estímulos pela imunidade ou redução dos percentuais de incidência do ICMS. É preciso mobilização urgente para que não sejamos enganados com projetos nacionais que acabam ampliando o fosso entre as unidades da federação e aprofundando desníveis regionais.
BIZARRICE O Atlético precisa mais do que Ilan: carece de elan.
AXIOMA Seria pior um cem dias sem nada, ainda que haja pouco a registrar.
GLOSA Já que desejamos exorcizar o passado, o que faremos no presente?
Denúncia é melhor do que renúncia, mas nem sempre resolve.
EPIGRAMA Lerner achava muito caro (e por isso vetou) o custo (R$ 455 mil anuais) com o projeto que obrigava a publicação em Diário Oficial dos gastos da administração direta e indireta. No entanto queimou R$ 500 milhões em propaganda nos primeiros quatro anos de sua gestão. Haja austeridade.
FOLCLORE Nas CPIs deputados levam banhos de depoentes por serem jejunos na matéria em exame. No governo Munhoz da Rocha, 51-54, a oposição (um só deles valia todo o Legislativo de hoje, Accioly Filho) convocou o simplório Eugênio José de Souza, secretário da Fazenda, o Genico. Deu um banho nos deputados. Com os quadros atuais não seria tão fácil, embora um Arzua, um Stephanes e Eleonora Fruet pudessem obter bom desempenho.





