LUIZ GERALDO MAZZA
Está aí um problema concreto a desafiar o governo: as filas de caminhões, que têm o seu início em Curitiba, obstruindo o corredor de exportação. Claro que é melhor tratar de teoria e discurso como o do pedágio, com o que, aliás, a maioria concorda. Todavia urgência da resposta é quanto ao estado de saturação da BR-277 pela impossibilidade de o Porto de Paranaguá dar vazão, em condições adequadas, à mega safra de soja.
Obviamente se trata de situação que se repete a cada safra, razão pela qual se nota que nos governos, de um modo geral, prevalece a visão do imediato e não das coisas permanentes. A persistir o estrangulamento da ligação entre o planalto e o litoral dentro em pouco teremos a busca de outras opções pelos exportadores, embora o terminal de Paranaguá seja um dos mais equipados para granéis do País. Seria lastimável que isso acontecesse.
O bloqueio determinado pelos caminhoneiros, ainda que agrave o quadro, é a forma possível de protesto para quem se sente prejudicado e angustiado ante a falta de qualquer perspectiva de regularização diante dos prejuízos que a classe vai acumulando, sem falar que passa fome e corre riscos pela falta de segurança. O caminhoneiro que fecha uma praça de pedágio, o que agradou a muitos componentes do governo, também reage a outros desconfortos.
BIZARRICE A PM, domingo depois do futebol, ao atirar-se contra mulheres e crianças, parecia estar dominada pela síndrome do Iraque.
AXIOMA Os deputados estão irritados com a Guerra do Iraque sob a alegação de que isso tira as cinco CPIs da mídia. Nós merecemos.
GLOSA Quando caminhoneiro fecha praça de pedágio é bom, mas passa a ser meio deletério quando bloqueia o Porto de Paranaguá, como se deu ontem.
EPIGRAMA Rafael Greca promete entrar num partido alegre e vermelho. Estaria deixando de ser coxa para transformar-se em atleticano.
FOLCLORE Um deputado que ouviu o primeiro relato da CPI do Banestado fez um trocadilho ''o Fayet faiô''. À época de sua investidura deu certificado de garantia aos antecessores e agora relata que a casa estava quebrada e que precisava de R$ 600 milhões diários no interbancário para acertar o caixa.
CROMO No deserto do Iraque uma flor como aquela que transfixou o asfalto de Drummond de Andrade. Rubra e mística, ajustada ao senso do milagre.
AFORÍSTICO Santagem é uma chantagem feita com propósitos sagrados.
OPS Não tenhamos pressa. O pior será quando o governo deslanchar.
VINHETA A Michele, cadelinha do Lula, também é humana, como dizia o Magri.
SCAPS A ''Fome Zero'' do Lula iria bem o ''Panela Cheia'' do Requião.





