Fragilidade do ''marketing''




O fascínio dos políticos pelo ''marketing'' acaba colocando esse instrumento acima da doutrina e da ideologia. Dá para percebê-lo na mancada que foi o caso do ''Fome Zero''. Vai ser fácil captá-lo nessa devassa que Requião (a rigor não tem uma bússola para governar) vem promovendo sobre a gestão de Lerner e em questionamentos como os relativos aos efeitos do novo perfil industrial. Não apenas, portanto, os dados éticos (os afanos, a degradação patrimonial, chunchos do Banestado, Copel e Sanepar), mas também os técnicos, visíveis no fato de que o verdadeiro desenvolvimento se deu na economia tradicional (na agroindústria, especialmente) e não na empulhação das montadoras.
Mas ontem e hoje assistimos duas pisadas na bola na questão da guerra e que evidenciam de que pouco adianta se sofisticar na submissão ao espetáculo: em cadeia de tevê Bush já estava no ar e não tinha percebido e até se maquiando, inclusive laqueando a melena, enquanto decorava o discurso; com Lula quase a mesma coisa apanhado numa ''chacrinha'' com José Dirceu e Ricardo Kotscho sem se ligar que uma espécie de ''Big Brother'' se desenrolava.
Só falta agora os atletas marqueteiros sugerirem que ambas as situações são realistas e válidas por ''dessacralizarem'' o cenário. Numa guerra em que Portugal sai na frente com imagens de tevê tudo é válido e possível.
BIZARRICE Fernandinho Beira-Mar para o Brasil, proporcionalmente, é mil vezes mais importante do que o Sadam. Essa a nossa guerra verdadeira e perdida.
AXIOMA Portugueses, que se irritaram com a caricatura da corte no Brasil na série ''O Quinto dos Infernos'', deram o troco na Globo com o furo de ontem.
GLOSA Marcos Isfer, presidente da CPI da Copel, acha que o recuo havido em 1999 com a CPI relativa à compra das ações da Sercomtel não deve ser analisado porque é matéria vencida. Como também a causa real de sua saída do lernerismo.
EPIGRAMA Dizem que a CPI Copel-Sercomtel foi desfeita e de forma não gratuita. Examinar isso seria um momento de autocrítica do Legislativo. Se não se dispuserem a fazê-lo é porque o pano quente é que limpa questões éticas.
FOLCLORE Juro fica na mesma com viés de alta. O viés de baixa é do Lula.
CROMO Estala a madeira da casa velha: fantasmas brincam de esconde-esconde.
AFORÍSTICO Se o governo Requião ficar só fazendo devassas ficará livre delas quando deixar o Palácio até porque nada terá feito.
VINHETA A guerra é um videogame da pior qualidade.

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